conselho no trabalho

ACEITA UM CONSELHO?

Defronte ao espelho penteou seus cabelos um tanto quanto rebeldes, escovou os dentes e abriu um sorriso para fiscalizar o serviço. Pronto. “Acho que já posso ir”, disse em voz baixa.

O pai, que ia passando pela porta do banheiro voltou, pegou o pente colocado em cima da pia e terminou de ajeitar a parte de trás do cabelo do filho com aquele ar que mal escondia o orgulho de vê-lo preparando-se para o primeiro dia de trabalho. Justamente na mesma empresa onde havia se aposentado depois de trabalhar por mais de trinta e cinco anos.

A mãe apressou-se e arrumou a gola de sua camisa, passando os olhos de cima a baixo no filho querendo confirmar se realmente estava tudo “bem direitinho” para aquele dia especial.

“Entra com o pé direito!”, ouviu quando já ia saindo pelo portão da casa. E lá foi ele caminhando pelas ruas da cidade depois de ter tomado rapidamente o café da manhã.

Adiantado, chegou na empresa e foi recebido pela secretária do gerente geral que gentilmente ofereceu um local para sentar e onde deveria aguardar sua entrevista de apresentação.

As mãos juntas e entrelaçadas sobre as pernas não escondiam o nervosismo do rapaz tímido que recém saído da adolescência estava prestes a ingressar no mundo corporativo sonhado pelos pais. Agora um sonho também dele.

Chegada a hora foi convidado a entrar no gabinete e sentar-se defronte à mesa do gerente que o aguardava olhando atentamente os papéis que tinha sobre a mesa. “Um homem sério demais”, pensou.

Numa conversa de aproximadamente 30 minutos o gerente apresentou a empresa e falou das suas expectativas para com o novo empregado. Finalizou a conversa dizendo “Você deverá ser muito melhor do que seu pai foi”.

Saindo daquela reunião e enquanto se dirigia ao posto de trabalho pensou intrigado: “Como assim ser melhor que meu pai foi?” Logo ele que tinha sido um profissional dedicado à empresa, que nunca se atrasava ou faltava ao serviço e que até levava serviço para casa? Ele que foi um exemplo para mim? Aquela dúvida ficou adormecida e acompanhou o rapaz por muitos anos em sua vida.

O tempo foi passando e o rapaz, um empregado sempre muito dedicado e responsável, foi assumindo diversos cargos na empresa onde conduziu processos e relacionou-se com muitas pessoas.

Encontrou pelo caminho muitas barreiras, naturais no mundo corporativo, e foi compreendendo que toda formação e conhecimento que trazia consigo quando do ingresso na empresa já não seriam suficientes para fazer frente às novas dificuldades que surgiam diariamente.

Dificuldades que surgiam tanto no campo do conhecimento estritamente técnico quanto no do relacionamento interpessoal. “Quem nos prepara para isso?” ou “Se eu soubesse disso antes poderia…” Pensava constantemente.

Como obter melhor desempenho profissional alcançando melhores resultados para a empresa? Que métodos e ferramentas utilizar no dia a dia para buscar os objetivos?  Como ajudar as pessoas da equipe em suas dificuldades para que possam ser mais felizes e realizadas no trabalho? Como aprender a dizer “nãos” sempre que necessário sem carregar alguma culpa por isso?

O rapaz foi compreendendo aos poucos suas limitações. A cada novo desafio que surgia constatava como era grande a lista das coisas que desconhecia. Quanto tinha ainda a aprender!

Tomou uma decisão importante. Com muito sacrifício financeiro dedicou oito anos consecutivos de sua vida para adquirir a formação necessária e melhorar sua capacitação profissional e pessoal. Fez cursos de graduação e especialização e passou a ler muito sobre temas técnicos e comportamentais.

Depois de trinta anos trabalhando na mesma empresa, de ter assumido diversos cargos de responsabilidade, incluindo aquele mesmo posto do gerente que o recebeu na época de sua admissão, compreendeu finalmente o significado das palavras ditas por ele naquela reunião inicial e que tanto o fizera pensar.

Sim. Compreendeu durante a sua jornada o quanto o aperfeiçoamento constante foi importante para o seu crescimento pessoal e profissional. O quanto a empresa foi beneficiada pelos seus novos conhecimentos e as pessoas por suas novas habilidades de relacionamento.

Pense como o mundo se modifica a cada instante e como tudo aquilo que você sabia há uma hora pode já não servir para a hora seguinte.

Aceita um conselho?

Melhore suas competências constantemente. Estude e leia muito. Prepara-se e acredite.

“Você deverá ser muito melhor do que seu pai foi um dia”.

Até a próxima!

Benhur Teixeira

 

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