A ENERGIZAÇÃO DE BYHAM: O PODER DO ZAPP!

A partir de uma nova concepção das relações entre as pessoas nas organizações, William C.Byham, presidente da Development Dimensions International (DDI)3, concebeu como forma de motivação dos indivíduos no trabalho a idéia da Energização.

Numa organização de nível internacional todos na empresa têm que estar pensando diariamente em como trabalhar melhor em termos de qualidade, produtividade, custos, vendas e satisfação dos clientes. No futuro, as organizações bem sucedidas serão cada vez mais aquelas que melhor conseguirem aplicar a energia criativa dos indivíduos a um constante aperfeiçoamento.

A única maneira de fazer com que as pessoas adotem um aperfeiçoamento constante no dia-a-dia é energizá-las.

A Energização, empowerment, em inglês, é um conceito moderno na área da psicologia industrial. Byham procurou demonstrar que a chave para a qualidade e a produtividade está numa espécie de energia que irradia das pessoas e que pode ser transmitida de um indivíduo a outro. Esta energia pode ser de dois tipos: Zapp! – ânimo, persistência, poder, ou Sapp¡ – abatimento, pessimismo, prostração.

Byham propõe um modelo para que o Zapp! aconteça e funcione. Este modelo atua em dois níveis: Energização individual e Energização de equipes semi-autônomas de trabalho. Em ambos os casos, são apontados quatro aspectos fundamentais e inter-relacionados para a Energização das pessoas: direção, recursos, conhecimento e apoio.

Energização individual

Para que o gerente consiga “zappear” seus subordinados, propõe-se que ele atue, num primeiro momento, em nível individual e, à medida que o grau de Energização aumente no grupo, procure montar equipes semi-autônomas.

Em nível individual, o gerente deve estar atento para que não faltem a seus subordinados:

Direção:É preciso que as pessoas saibam “o que fazer”. Para tanto, a organização deve continuamente elaborar e rever seu plano estratégico, tático e operacional. É necessário estabelecer as metas da empresa, as metas de cada departamento e as metas individuais. Para o estabelecimento das metas individuais, o gerente e seu subordinado devem definir:

  1. a) a área chave de resultado – a direção desejada;
  2. b) a medida – uma forma de saber se caminha-se na direção desejada;
  3. c) a meta – algo que indique se já se chegou lá.

Recursos: É preciso que as pessoas tenham disponíveis os recursos necessários ao cumprimento da tarefa, como ferramentas, instalações, material, dinheiro, informações e outros.

Conhecimento: Antes de delegar uma tarefa, o gerente precisa certificar-se de que o subordinado está apto a executá-la. Sugere-se os seguintes passos do aconselhamento:

  1. Explique o propósito e a importância do que se pretende ensinar.
  2. Explique o processo a ser adotado.
  3. Mostre como se faz.
  4. Observe enquanto a pessoa treina o processo.
  5. Ofereça feedback imediato e específico (explique novamente ou reforce o sucesso).
  6. Demonstre confiança na capacidade da pessoa de obter sucesso.
  7. Combine medidas de follow-up.

O gerente deve passar ao subordinado o maior número possível de informações acerca da tarefa, pois, segundo Byham, “aprender mais sobre seu trabalho aumenta o seu Zapp!”.

Apoio: O apoio é o aspecto mais ressaltado. São apontados três princípios básicos que devem ser seguidos pelos gerentes que querem energizar seus subordinados:

  1. a) Mantenha a estima do empregado. Para tanto, é preciso que toda vez que o superior conversar com seu subordinado não o rebaixe nem o faça sentir-se inferior. Mesmo que haja um problema, o superior deve dizer o que tem a dizer de forma que a pessoa ainda se sinta bem, ou pelo menos confortável consigo mesma. A qualidade do que é dito também é um fator importante neste caso. As pessoas percebem quando o chefe não está sendo sincero ou quando não merecem o comentário.
  1. b) Ouça e responda com empatia. A correta comunicação entre o chefe e o subordinado é um ponto fundamental à Energização, segundo o autor. É preciso que as pessoas saibam que estão sendo ouvidas e levadas em consideração. O chefe precisa prestar bastante atenção ao que as pessoas lhe falam, evitando deixar seus pensamentos atrapalharem a mensagem que está sendo transmitida.
  1. c) Peça ajuda para solucionar o problema. O gerente deve sempre estimular a mente criativa de seus subordinados, pedindo a eles idéias, sugestões e informações para a solução do problema. Isto faz com que se sintam responsáveis pela questão. É importante, então, que o gerente aprenda a delegar e deixe a implementação da solução nas mãos do funcionário.

 Após avaliar o desempenho do funcionário, o chefe deve fornecer Feedback a ele. Segundo Byham, “o Feedback constante sobre o desempenho relativo às metas mantém um alto nível de Zapp”.

Energização de equipes semi-autônomas de trabalho

O papel do gerente deve ser de proporcionar à equipe: Direção, Recursos, Conhecimento e Apoio.

A Energização é um conceito que leva à maior autonomia das pessoas na organização. Os trabalhadores passam a tomar suas próprias decisões e a controlar o que estão fazendo. Neste contexto, desaparece a figura do gerente e surge a do Facilitador.

Créditos: * Marcos Bueno, Professor do Curso de Pós-Graduação em Gestão de Recursos Humanos do Centro de Ensino Superior de Catalão