Tive o grande privilégio, assim como talvez você e tantos outros, de viver boa parte da infância e adolescência tendo pais ou avós por perto. Naturais ou adotivos, pouco importa.

A imensa riqueza adquirida pela convivência diária só foi devidamente valorizada por mim, infelizmente, algum tempo depois que partiram deste mundo, quando então fui amadurecendo e abrindo meus olhos para o que realmente importa na vida. As pessoas, o amor incondicional e suas histórias.

Passei a admirar realmente as pessoas que estavam tão pertinho de mim somente depois de perdê-las, levadas pelo tempo, implacável. Não carrego culpas por isso, mas lamento imensamente não tê-los ao meu lado agora que me tornei adulto.

Sei que na infância temos um comportamento como qualquer filhote animal. Queremos apenas descobrir o mundo e brincar. Estamos formando aí nosso caráter.

Mais tarde, na adolescência, quando os hormônios começam a falar mais alto, queremos apenas curtir. Somos doutores em qualquer assunto e os velhos representam um “mico” a ser evitado.

Não me dava conta que as lições embutidas nas conversas daqueles velhos, durante as refeições ou nos serões ao redor fogão à lenha, noites frias de inverno,  estavam transmitindo valores morais e sabedoria inestimáveis.

Foram lições que ficaram gravadas em algum canto da minha memória e que vieram à tona, mais tarde, para serem utilizadas como parâmetro em muitas das escolhas feitas durante minha vida.

Penso que poderíamos evitar muitos obstáculos e sofrimentos se aprendêssemos alguma coisa com aqueles homens e mulheres que chegaram ao mundo antes de nós abrindo caminhos. Como é bom encontrar uma picada já aberta por entre a mata fechada, não é mesmo?

Experiência somente se adquire com a passagem do tempo, e estas pessoas, “velhas”, já foram testadas de diversas maneiras e experimentaram erros e acertos nas mais variadas situações. É um conhecimento que não se compra no bar da esquina e nem se encontra facilmente nas escolas ou no google, onde procuramos muitas vezes por todas as respostas.

Será que por um acaso você ainda tem alguma dessas pessoas por perto e não se deu conta que está perdendo uma chance de ouro para aprender algo valioso?

Mesmo tendo vivido num mundo muito diferente do nosso, não virtual, mas mecânico e analógico, marcado pelo contato físico e o olho no olho,  cultivaram virtudes ausentes na sociedade atual e que são indispensáveis para que homem tenha uma vida plena e verdadeira. Necessárias para que tome nas mãos as rédeas do seu próprio destino, de sua comunidade e de seu país.

Coragem, verdade, honra, fidelidade, disciplina, hospitalidade, laboriosidade, independência e perseverança são algumas delas.

Sabemos o quanto é difícil parar e pensar um pouco sobre, digamos, estes assuntos mais chatos. Falar sobre velhos? Tô fora! Dizem muitos sem pestanejar do alto de sua arrogância inconsciente enquanto outros apenas fogem instintivamente do assunto.

Passamos todos pelas mesmas fases da vida e aqueles felizardos que chegam a uma idade mais avançada têm algo a nos ensinar. Não que todo velho seja um sábio. Pelo contrário, infelizmente são muitos os que envelhecem idiotas. Mas a regra não é esta.

Uma das tantas boas frases ditas pelo grande dramaturgo Nelson Rodrigues diz o seguinte: O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da inexperiência.

Teria ele dito isto porque já estava surfando a sua própria velhice? Por despeito do vigor da juventude que não mais possuía? Creio que não. Todos nós, sem exceção, aprenderá esta simples verdade com o passar do tempo: Que a experiência tem o seu valor forjado assim como os metais mais preciosos encontrados nas entranhas da terra. Precisa de muito tempo para se tornar o que é. Valiosa.

Com sorte todos chegaremos lá. Enquanto isto, abrace-os!

Boa sorte!

Equipe Tête-à-Tête