Vinte e duas horas. Lá fora cai uma tormenta danada.

Encontrei o controle remoto depois de vasculhar por entre as cobertas e zapeei pelos canais da televisão antes de tentar dormir. Passei por um, outro e mais outro com a esperança de que algo novo tivesse ocorrido desde a última vez em que, teimosamente, fiz a mesma tentativa.

Quem sabe pudesse ver alguma notícia mais leve, de paz, de esperança num futuro melhor. A expectativa de um simples futuro já bastaria. Um tranquilo pouso de avião ao invés da queda trágica com direito aos detalhes sofríveis dos últimos minutos gravados pela caixa preta. Nada. Tudo continuava igual como sempre foi.

Manchetes requentadas, declarações de desconhecidos “especialistas” que conferem autoridade e sempre confirmam as teses defendidas pelos jornalistas, estes pobres bonecos de ventríloquos sentados sobre a perna do mainstream político com seus escusos interesses. Atores de um teatro sangrento, deprimente e chato. Acima de tudo, chato. Muito chato.

Continuam cultivando o que sempre plantaram: A neurose coletiva em um povo bom e que parece estar perdendo a dimensão da realidade para viver num eterno “show de Truman” dirigido pelos maquiavélicos senhores da grande mídia. A cada edição de telejornais, debates, encontros, etc, um novo pau de lenha é jogado para manter aquecida a fogueira que vai consumindo o ânimo e a vontade dos espíritos vazios, conduzindo a opinião pública sempre ladeira abaixo.

Vinte e três horas e a tormenta passou. Desliguei o televisor com o prazer de quem se livra de um ferro em brasa e retomei rapidamente a deliciosa leitura das “Memórias do Escrivão Isaías Caminha”, de Lima Barreto, antes de cair nos braços de Morfeu. Quem sabe no futuro faço uma nova tentativa. Quem sabe.

Benhur Debastiani Teixeira


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête