Se você hoje faz de tudo em segundos com uns toques no teclado e uma conexão de internet, agradeça a Alan Turing, o pai da ciência da computação. Neste post, vamos contar mais sobre a vida e o trabalho fascinantes deste matemático inglês.

Turing nasceu em 1921, em Londres. Já na infância era uma criança prodígio, com uma capacidade de raciocínio superior, que se desenvolveu em um intelecto notável. Em seus 41 anos, Turing acumulou diversos feitos. O gênio era também incompreendido, com temperamento forte e manias peculiares, como amarrar a caneca na mesa para os colegas de trabalho não a usarem.

Com suas pesquisas e projetos científicos, Turing criou as bases para o desenvolvimento dos computadores modernos e para a inteligência artificial. Por isso ele é considerado o pai da ciência da computação. O matemático também liderou a equipe secreta de especialistas que decifraram a comunicação em código dos nazistas e garantiu a vitória dos aliados na Segunda Grande Guerra.

A Máquina de Turing

Em um de seus artigos científicos, o matemático criou um aparelho hipotético que mudaria de função conforme a necessidade, e operava por cálculos matemáticos em sistema binário. A chamada Máquina de Turing deu origem ao computador moderno, criando o campo da ciência da computação e revolucionando o mundo.

Neste trabalho sobre números computáveis, Turing defendeu que há problemas que não têm solução, e que nem toda afirmação lógica está apta a ser comprovada a partir de qualquer sistema formal da matemática, contrariando os conceitos mais aceitos até então. Assim, ele idealizou um processo mecânico que conseguisse dizer quando um procedimento lógico poderia ser comprovado ou não. A lógica do algoritmo é baseada, principalmente, neste trabalho; na verdade, toda a computação moderna.

Outro trabalho fundamental do pai da ciência da computação é o Jogo da Imitação, também conhecido como o Teste de Turing. Ainda em 1950, o visionário matemático já considerava que a forma de processamento dessas máquinas, os futuros computadores, evoluiria de tal maneira que poderia se equiparar ao cérebro humano.

Em outro artigo, Maquinaria Computacional e Inteligência, Turing introduziu o conceito do jogo da imitação sob a forma de um teste para identificar se uma máquina poderia pensar ou, mais especificamente, reproduzir o comportamento humano.

A atuação de Turing também foi determinante no grupo de gênios estruturado pelo serviço de inteligência britânico durante a Segunda Guerra Mundial para desvendar mensagens encriptadas das forças militares nazistas. O código era gerado por uma máquina de criptografia supostamente impenetrável, a Enigma. Turing concebeu e construiu uma máquina capaz de analisar diversas mensagens para identificar pontos fracos da codificação, e conseguiu desvendar a encriptação. Isso revelou a movimentação das tropas e planos de ataque alemães, o que ajudou a encurtar muito a guerra.  Esse feito de Turing só foi conhecido muito depois de sua morte. Mantido em segredo pelo governo, o projeto foi tornado público apenas 70 anos depois, em 2013.

Turing morreu em 1954 por ingestão de cianeto. A versão oficial é de que o matemático teria injetado o veneno em uma maçã e cometido suicídio. No entanto, alguns estudiosos de sua vida defendem que faltam evidências de que realmente tenha sido suicídio. Mas é fato que o matemático estava já há alguns anos em forte depressão. Perseguido por ser gay, Turing perdeu o emprego, estava falido e sofria com os efeitos do tratamento hormonal imposto por decisão judicial. 

Até 1967, a legislação britânica criminalizava a homossexualidade. Quando o envolvimento de Turing com outro homem foi identificado pela polícia, ele foi preso por um período e teve que sofrer uma castração química. Em 2009, Turing recebeu o perdão real póstumo e foi homenageado por suas contribuições. Em 2017, uma nova lei cancelou a condenação dos 65 mil britânicos perseguidos pelo Estado por sua orientação sexual, 15 mil deles ainda vivos. A lei recebeu o nome de Alan Turing.


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête