Nascido em 21 de agosto de 1895, em Quaraí, cidade do Rio Grande do Sul situada na fronteira com o Uruguai, Dyonélio Tubino Machado transferiu-se ainda jovem para Porto Alegre, onde, além do Jornalismo, praticou a Medicina Psiquiátrica, trabalhando no Hospital São Pedro. De seus estudos para o exercício profissional resultou a tese de Doutorado “Uma definição biológica do crime“, defendida em 1933. O tema conjugava dois pólos de interesse do autor, quais sejam a questão médica e a social. Não por acaso, sua primeira publicação, em 1923, intitulava-se “Política contemporânea – três aspectos”. Seu comprometimento era tanto que o levou a participar da fundação da Aliança Nacional Libertadora, que fazia frente à ditadura imposta ao País por Getúlio Vargas. O fato custou-lhe a prisão, em 1935, quando foi transferido de Porto Alegre para o Rio de Janeiro. Lá, além de ficar detido por dois anos, estabeleceu contato com o Partido Comunista Brasileiro.

Sua estréia literária ocorreu em 1927, com os contos de “Um pobre homem”. Oito anos depois, a publicação da novela Os ratos granjeou-lhe, juntamente com Marques Rebelo, João Alphonsus e Érico Veríssimo, o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras. Essa obra, de que foi realizada versão para o teatro em 2001, narra um dia da vida do funcionário público Naziazeno Barbosa, que é despedido por ocupar seu tempo em busca de meios para pagar a conta do leiteiro, sob pena de a família não receber mais o alimento. Além das obras citadas, escreveu, entre outras, o romance de aventuras “O louco do Cati (1942)”, os romances “Desolação (1944)” e “Passos perdidos (1946)”, a Trilogia da Liberdade (Deuses econômicos, 1966; Sol subterrâneo, 1981, e Prodígios, 1980), bem como “Endiabrado (1980)”, “Fada (1982)” e “Ele vem do Fundão (1982)”. Faleceu em Porto Alegre, no dia 19 de junho de 1985.

Livros

Política contemporânea. Porto Alegre: Globo, 1923.
Um pobre homem. Porto Alegre: Globo, 1927.
Uma definição biológica do crime. Porto Alegre: Globo, 1933.
Os ratos. São Paulo: Nacional, 1935.
O louco do Cati. Porto Alegre: Globo, 1942.
Eletroencefalografia. Porto Alegre: Globo, 1944.
Desolação. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944.
Passos perdidos. São Paulo: Martins, [1946].
A alimentação no Rio Grande do Sul; alguns aspectos. Porto Alegre: Assembleia Legislativa (RS), 1947.
Deuses econômicos. Rio de Janeiro: Leitura, 1966.
Prodígios. São Paulo: Moderna, 1980.
Endiabrados. São Paulo: Ática, 1980.
Nuanças. São Paulo: Moderna, 1981.
Sol subterrâneo. São Paulo: Moderna, 1981.
Fada. São Paulo: Moderna, 1982.
Ele vem do fundão. São Paulo: Ática, 1982.
Memórias de um pobre homem. Porto Alegre: IEL, 1990. Pesquisa, organização e notas de Maria Zenilda Grawunder.
O cheiro de coisa viva: entrevistas, reflexões dispersas e um romance inédito: o estadista. Rio de Janeiro: Graphia, 1995.
O pensamento político de Dyonelio Machado. Porto Alegre: Assembleia Legislativa (RS), 2006 (Coord. Escola do Legislativo “Deputado Romildo Bolzan”).


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Equipe Tête-à-Tête