Ouvindo soar o apito, numa manhã de verão

Tentei alcançar o trem, avisar-te, tudo em vão.

Talvez desacreditando que eram favas contadas

No meio da correria, pegaste a mala trocada.

A minha, repleta de mim, levaste na tua partida

A tua, repleta de pó, aqui ficou esquecida.

Que faço eu com tua mala, que ficou abandonada?

A minha cheia era leve, já a tua é tão pesada!

Que justiça seja feita, mas que não seja tardia

Pois levando a mala cheia não deixaste uma vazia?

Só me resta então rogar, ao juiz grandioso e belo

Que carrega em suas mãos a balança desta vida:

Traga de volta o trenzinho, e aceite este libelo.

Me ouvindo ele diria, voz troante qual trovão

Eu ordeno que retornes de volta para a estação.

E neste dia feliz, ao resolver o conflito

Minha verdadeira intenção, a qual não teria dito

Teria o juiz compreendido, proferindo o veredito:

O condeno, por amor, a nesta vida ficar

Mas devolva a mala ao dono, que irá no teu lugar.

Em memória do meu amado pai, João Guilherme Teixeira. 

Benhur Debastiani Teixeira


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête