Alegria, brilho e muitas cores são características inerentes ao Carnaval. A época do ano mais esperada por grande parte da população é repleta de fantasias criativas e personagens tradicionais, como os clássicos pierrot, colombina e arlequim. Outro figurão que não pode faltar e também dá nome à festa é o Rei Momo. Todos os anos, em um concurso, é escolhido o candidato mais animado para se tornar o monarca que vai “reger” os dias de folia. Mas, você sabe qual é a origem dessa história?

Quem é o Rei Momo?

O querido personagem, rechonchudo e irreverente, é historicamente o rei do Carnaval. “A ele são entregues, simbolicamente, as chaves da cidade pelas mãos do prefeito e com isso está aberto o reinado da folia, onde Momo reina absoluto até a quarta-feira de cinzas, em todas as esferas da sociedade, já que ele próprio é a personificação do Estado”, explica Augusto Neves, professor e doutor em história.

Origem do personagem

Sua origem remete ao tempo da Antiguidade Clássica, mais especificamente à mitologia grega. Pouca gente sabe, mas Momo, na verdade, era uma deusa. Filha de Nix (divindade do sono), era a personificação do sarcasmo, reclamação e delírio, patrona dos poetas e escritores. Ela era representada usando uma máscara e balançando guizos. Por seu jeito irônico, acabou sendo expulsa do Olimpo.

Não se sabe ao certo em que momento houve a mudança de gênero do personagem. “As representações sofrem transformações ao longo do tempo. Mediante o contexto de um paradigma patriarcal, melhor seria um homem para representar as relações de poder”, explica Rúbia Lóssio, socióloga, escritora folclorista e professora e membro da Organização Internacional de Arte Popular e Folclore (IOV).  Os gregos incorporaram a figura de Momo a algumas de suas comemorações, principalmente às festas de Dionísio, deus do vinho e da farra. Momo era gordo para simbolizar fartura e a abundância.

O Rei Momo chega ao Brasil

O primeiro registro do Rei Momo no Brasil data de 1910, quando o palhaço Benjamin Oliveira representou o monarca numa atuação no Circo Spineli. No início da década de 1930, alguns redatores do periódico carioca “A Noite” criaram um boneco de papelão representando o personagem assim como conhecemos. E em 1933, os mesmos jornalistas decidiram que o rei deveria se tornar de carne e osso, e elegeram o cronista Francisco Moraes Cardoso pra tal incumbência. Ele desfilou durante anos e seu reinado durou até 1948, quando faleceu.

Os primeiros concursos, organizados por entidades carnavalescas e jornalistas, começaram começam por volta dos anos 50. Em 1968, a eleição foi oficializada por lei estadual, no Rio de Janeiro. Em Pernambuco, a primeira votação para Rei Momo aconteceu em 1965 e desde então a tradição continua mais rica a cada ano.

Um grande reinado do imaginário popular

“A sociedade é dinâmica e assume posicionamentos variados e diversos ao longo das temporalidades”. As palavras do professor Augusto explicam que durante séculos, a figura do Rei Momo passou por modificações, de acordo com a visão de diferentes culturas e povos. “O que podemos encontrar hoje são similaridades, uma ideia central”, complementa.

Rúbia corrobora da mesma opinião, e complementa: “As coisas são adaptadas e inventadas a partir da mistura do imaginário popular. Não existe uma origem exata e determinada para tudo”. Ela acredita que o sucesso do monarca se dá ao fato dele “burlar o cotidiano caótico dos cidadãos”. “Não importa se é gordo ou esbelto, o que não pode é perder a majestade”, complementa.


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Equipe Tête-à-Tête