A tela foi criada na fazenda da família, em Mont-Roig, no verão/outono de 1925. O fundo sombrio, esfumaçado, com tons escuros a preto e a marrom foram característicos das pinturas desse ano. Miró vivia particularmente um bom momento depois de ter sido celebrado na sua recente exposição em Paris por outros colegas surrealistas.

Nascimento do Mundo (1925)

Das paisagens da fazenda que costumava pintar, Miró partiu para outro tipo de representação e experimentou um estilo completamente diferente ao produzir obras cada vez mais abstratas com poucos elementos. Aqui vemos um fundo com muitas manchas, respingos, cascatas, explosões, tinta escorrida, num tom sombrio.

As poucas referências presentes reconhecíveis fazem alusão aos sonhos, às alucinações e aos delírios – em sintonia com o projeto surrealista. Em Nascimento do Mundo destacamos os elementos pontuais coloridos, nesse caso um balão vermelho sustentado por uma corda amarela.

O tema do nascimento do mundo já havia sido explorado por uma série de pintores ao longo dos séculos, mas Miró conseguiu encontrar um olhar novo sobre aquilo que considerou ser o seu gênesis particular. A sua maneira de interpretar a criação do mundo permite múltiplas leituras, entre elas, a de uma criança soltando um balão e brincando de pipa.


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête