A Consciência de existir, a raiz
Do ilimitado, omnímodo mistério
Que tem tronco de Ser, folhas de vida
Flores de sentimento e sofrimento
E frutos do pensar, podres depressa.

A Consciência de existir, tormento
Primeiro e último do raciocínio
Que, porém, filho dela, a não atinge.
A Consciência de existir me esmaga
Com todo o seu mistério e a sua força
De compreendida incompreensão profunda,
Irreparavelmente circunscrita.

Fernando Pessoa (1888-1935)


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête