Sabe-se que o maior poeta português, Luís Vaz de Camões, provavelmente, nasceu em Lisboa (Portugal), por volta de 1524 e pertenceu a uma família de origem galega, da pequena nobreza.

Esse brilhante poeta do Classicismo português, possui obras que o colocam a altura dos grandes poetas do mundo. Seu poema épico, Os Lusíadas, divide-se em dez cantos repartidos em oitavas. Esta epopeia tem como tema os feitos dos portugueses: suas guerras e navegações. 

Esse escritor lusitano, dono de um estilo de vida boêmio, foi frequentador da corte portuguesa, viajou para o Oriente, esteve preso, passou por um naufrágio, foi processado e terminou em miséria. Seus últimos anos de vida foram na mais completa pobreza. 

Na juventude, trabalhou como poeta na corte do rei português D. Manuel III. Em 1547, entrou para o exército português. Como soldado, foi enviado para o continente africano. Retornou para Portugal em 1522. No ano de 1523, foi enviado para as Índias para atuar em expedições militares.

A bagagem literária deixada pelo escritor é de inestimável valor literário. Ele escreveu poesias líricas e épicas, peças teatrais e sonetos. A maioria de seus textos e poemas são verdadeiras obras de arte. 

Camões faleceu em 10 de junho de 1580, aos 56 anos de idade, na cidade de Lisboa (Portugal).

Retrato de Luis de Camões
Luís de Camões: retrato pintado em Goa (Índia) em 1581.

A lInguagem camoniana e reconhecimento

Criador da linguagem clássica portuguesa, Camões teve seu reconhecimento e prestígio cada vez mais elevados a partir do século XVI. Seus livros vendem milhares de exemplares atualmente, e foram traduzidos para diversos idiomas (espanhol, inglês, francês, italiano, alemão entre outros). Seus versos continuam vivos em diversos filmes, músicas e roteiros.


Obras de Camões

1572 – Os Lusíadas

1595 – Rimas

1595 – Amor é fogo que arde sem se ver

1595 – Eu cantarei o amor tão docemente

1595 – Verdes são os campos

1595 – Que me quereis, perpétuas saudades?

1595 – Sôbolos rios que vão

1595 – Transforma-se o amador na cousa amada

1595 – Sete anos de pastor Jacob servia

1595 – Alma minha gentil, que te partiste

1595 – Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

1595 – Quem diz que Amor é falso ou enganoso 

1587 – El-Rei Seleuco.

1587 – Auto de Filodemo.

1587 – Anfitriões


Principais características da poesia épica de Camões

As características abaixo seguem como base a grande obra de Camões: Os Lusíadas, publicada em 1572.

– Enquadra-se no que chamamos de Literatura de Viagens.

– Valorização dos descobrimentos e conquistas marítimas de Portugal.

– Presença de sentimento heroico e ufanista (orgulho pelo país).

– Poesias influenciadas pela leitura de escritores da Antiguidade Clássica como, por exemplo, Homero e Virgílio.

– Glorificação das realizações heroicas, do ponto de vista de Camões e dos portugueses do período, dos navegadores do reino de Portugal.

– O tema central de “Os Lusíadas” é a viagem de Vasco da Gama às Índias (1497-1498). O navegador é exaltado, por Camões, como sendo o representante ideal do povo português. A expansão do catolicismo, no contexto dessas conquistas marítimas, também é valorizada por Camões.

– Presença de estilo literário grandiloquente (uso de expressões rebuscadas e palavras pomposas).

– Grande realismo das descrições.

– Presença de visão crítica, principalmente na parte final de “Os Lusíadas”.

– Uso de conhecimentos técnicas e informações geográficas e históricas.


Curiosidades:

– Alguns pesquisadores afirmam que Camões atuou como soldado na África. Ele se alistou, logo após sofrer uma desilusão amorosa. Foi nessa época, que durante uma batalha, perdeu um olho. O grande escritor português também chegou a ser preso, após ferir um servo do Paço.
– O túmulo de Camões está localizado no Mosteiro do Jerônimos (Freguesia de Belém, Lisboa, Portugal).

Os Lusíadas de Luís de Camões (resumo e análise completa) - Cultura Genial
Capa da obra Os Lusíadas, de Camões, edição de 1572

Exemplo de seus poemas mais conhecidos:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Créditos: Elaine Barbosa de Souza – Graduada em Letras (Português e Inglês) pela FMU (2002).


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête