Quando alguém chega a Vigo pela primeira vez e depois de a percorrer, entende que há um escritor aclamado pela cidade: Júlio Verne. Ao contrário do que estamos habituados, aqui é uma cidade espanhola a aclamar um escritor estrangeiro, neste caso francês. Regra geral acontece o contrário: homenagens a escritores nacionais. Em memória do escritor há uma escultura muito central junto do porto de Vigo, um dos lugares mais importantes da cidade. Há também vários graffitis em avenidas importantes, pequenas exposições em museus e frases do escritor e placas informativas sobre a sua visita nas Ilhas de Cíes.

A maior homenagem é uma escultura de Júlio Verne sentado em cima dos tentáculos de uma lula gigante. Inaugurada a 17 de outubro de 2005 e esculpida por José Molares natural de Vigo, esta representa uma homenagem da cidade ao escritor francês aquando do centenário da sua morte. A origem desta relação vem do seu livro “Vinte Mil Léguas Submarinas”, no qual a cidade foi mencionada e tem um capítulo inteiramente dedicado a si e no qual também refere Lisboa como o destino seguinte da sua travessia.

Julio Verne, do escultor José Molares

Piero Gondolo della Riva, o maior especialista mundial em Verne, conhecedor profundo do diário de viagem do escritor, descreve que este tinha descrito todos os detalhes da sua passagem por Vigo, tanto em 1878, como em 1884. Estes revelam que a sua estadia se prolongou por quatro dias entre 1 e 4 de Junho de 1878. Consta que assistiu à procissão do “Cristo de la Victoria” e participou nas festas da Reconquista, que celebra a expulsão dos franceses liderados por Napoleão. No entanto, há relatos de que não era sua intenção fazer escala em Vigo, mas acabou por fazê-lo a fim de escapar a um temporal que colocava a navegação em grande perigo.

A ria de Vigo é um lugar largo rodeado de terra e de algumas ilhas, o que lhe permitia navegar em água mais calma. Mais tarde contou ao seu amigo Raoul Duval numa carta: ”Não podes imaginar algo mais fascinante do que esta baía de Vigo, um lago imenso rodeado de montanhas (…)”. Numa outra carta enviada de Lisboa, dia 6 de junho de 1878, um pouco depois de ter deixado Vigo, desta vez endereçada ao seu amigo Pierre-Jules Hetzel, também editor, contava que estava espantado como era tudo tão bonito e como fora tão bem recebido.

A segunda visita ocorreu a 19 de maio de 1884, de novo sem estar planeado, na qual descreve, sobretudo a passagem das Ilhas Ciés enquanto navega. Já em terra, visitou o monte O Castro onde se encontra uma fortaleza onde se pode vislumbrar de forma privilegiada a cidade de Vigo e, claro está, o Mar. Este é, sem duvida, um bom ponto turístico de Vigo. Verne ficou deslumbrado com o “imenso lago rodeado por montanhas”.

O aniversário do autor é comemorado e recordado pela cidade. Este ano de 2018 foi importante por assinalar 140 anos desde a primeira visita do grande escritor francês e 150 anos da chegada do submarino Nautilus, elemento central no seu livro “Vinte Mil Léguas Submarinas”, na ria de Vigo.

Fonte:comunidadecultaearte


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Equipe Tête-à-Tête