Arte moderna é o nome dado aos movimentos artísticos que brotaram na Europa nos últimos anos do século XIX. Essas vanguardas artísticas, como ficaram conhecidas, prolongaram-se até a metade do século seguinte, chegando ao Brasil em torno dos anos 20.

Nessa época, os artistas buscavam outros olhares e maneiras de representar o mundo, descolando-se da arte tradicional.

Assim, surgiram diversas vertentes nas artes plásticas como expressionismo, fauvismo, cubismo, abstracionismo, futurismo, surrealismo e dadaísmo.


Arte Moderna no Brasil

No Brasil, o movimento modernista surgiu posteriormente às vanguardas europeias. Aqui, o período decisivo para sua consolidação foi a década de 20, com a Semana de Arte Moderna. Entretanto, já havia artistas realizando obras com características modernas alguns anos antes.

A estudante russa, Anita Malfatti
A estudante russa (1915), de Anita Malfatti. Uma das primeiras pinturas modernistas no Brasil

Contexto histórico

O contexto histórico que o país vivia no início do século XX era de crescimento, progresso, industrialização e a chegada de muitos imigrantes, que vinham de diversas partes do mundo para reconstruir a massa trabalhadora depois da abolição da escravatura.

Era um momento de fortalecimento do capitalismo e portanto os conflitos sociais também se acirravam. Houve, por exemplo, greves de imigrantes operários organizados por movimentos anarquistas em busca de melhores condições de vida.

Assim, começa a surgir a necessidade de um novo tipo de arte que transmita os anseios vigentes e as esperanças no futuro.

Paralelamente a isso, já ocorria na Europa uma busca pela experimentação e ruptura das tradições. Então, alguns artistas brasileiros entraram em contato com essa agitação em terras estrangeiras e trouxeram um frescor artístico e o empenho em implementar uma arte nova por aqui, com inspiração nas vanguardas europeias.

Nomes essenciais nesse momento foram Lasar Segall (1891-1957) e Anita Malfatti (1889-1964), que podem ser considerados os precursores da arte moderna no país, realizando exposições ainda nos anos 10.

Importante dizer que a arte de Anita foi duramente criticada e mal compreendida por boa parte da intelectualidade brasileira, sobretudo por Monteiro Lobato. Já Lasar Segall, por ser de origem estrangeira (Lituânia), não sofreu grandes críticas.


Semana de Arte Moderna

Com toda essa movimentação, outros artistas também estavam explorando novos rumos na arte e na literatura.

Assim, eles decidem organizar uma espécie de “festival”, onde apresentam suas mais novas produções. Dessa forma nasce a “Semana de Arte Moderna”, ou “Semana de 22”, como também ficou conhecida.

semana de arte moderna
Cartazes da Semana de Arte Moderna, feitos por Di Cavalcanti

O evento fez parte das comemorações dos cem anos de independência do Brasil, em 1922, e foi realizado no Theatro Municipal de São Paulo, de 13 a 18 de fevereiro desse mesmo ano.

A intenção dos artistas era trazer novidades e desafiar os padrões vigentes da arte, ainda muito conservadora e atrelada aos valores do século XIX.

Essa foi uma mostra que exibiu aproximadamente 100 obras de arte e contou com apresentações literárias e musicais. A ideia da Semana, na realidade, foi inspirada pelo evento francês Semaine de Fêtes de Deauville e contou com o apoio de Paulo Prado, um mecenas que conseguiu suporte financeiro com barões do café.


Representantes brasileiros da arte moderna

Foram vários os artistas que contribuíram para para a consolidação da arte moderna no Brasil, tanto nas artes plásticas quanto na literatura. Além dos pintores Anita Malfatti Lasar Segall, que já estavam à frente nesse tipo de arte, tivemos:

  • Di Cavalcanti (1897-1976) – pintor, ilustrador, escritor e gravurista. Foi uma figura essencial para a realização da Semana de 22, considerado o grande idealizador.
  • Vicente do Rego Monteiro (1899-1970) – O pintor é um dos primeiros a explorar a estética cubista com temas característicos do Brasil, como mitos indígenas.
  • Victor Brecheret (1894-1955) – um dos maiores nomes da escultura no Brasil. Teve influência de Auguste Rodin e suas obras tinham elementos expressionistas e cubistas.
  • Tarsila do Amaral (1886-1973) – pintora e desenhista. Não participou da Semana de Arte Moderna porque estava na França participando de uma exposição. Entretanto, teve papel fundamental no movimento modernista denominado Antropofagia.
  • Manuel Bandeira (1886-1968) – escritor, professor e crítico de arte. Sua produção literária trazia inovações na forma de se expressar e à principio questionava os poetas parnasianos. O poema Os sapos foi declamado na Semana de Arte Moderna.
  • Mario de Andrade (1893-1945) – escritor marcante da primeira geração de modernistas no Brasil. Sua produção valorizava a identidade e cultura nacional.
  • Oswald de Andrade (1890-1954) – escritor e dramaturgo. Uma das figuras centrais no modernismo literário, com um estilo irreverente e ácido, revisitando as origens do Brasil de forma questionadora.
  • Graça Aranha (1868-1931) – escritor e diplomata. Ajuda a fundar a Academia Brasileira de Letras e tem papel fundamental na Semana de Arte Moderna.
  • Menotti Del Picchia (1892-1988) – escritor, jornalista e advogado. Em 1917 publica o romance Juca Mulato, sua obra prima, considerada pré-modernista. Participa em 1922 da Semana de Arte Moderna, coordenando a segunda noite do evento.
  • Villa Lobos (1887-1959) – compositor e maestro. Um dos maiores músicos brasileiros, com grande reconhecimento internacional também. Sua estreia foi na Semana de Arte Moderna, onde sua obra não foi compreendida pelo público.
  • Giomar Novaes (1895-1979) – pianista. Também participou da Semana de 22 e foi rechaçada na época. Entretanto construiu forte carreira no exterior e foi uma grande propagadora da música de Villa Lobos.

Fonte: culturagenial/ por Laura Aidar – arte educadora e artista visual


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête