Matilde, nome de planta ou pedra ou vinho,
do que nasce da terra e dura,
palavra em cujo crescimento amanhece,
em cujo estio rebenta a luz dos limões.

Nesse nome correm navios de madeira
rodeados por enxames de fogo azul-marinho,
e essas letras são a água de um rio
que em meu coração calcinado desemboca.

Oh nome descoberto sob uma trepadeira
como a porta de um túnel desconhecido
que comunica com a fragrância do mundo!

Oh invade-me com tua boca abrasadora,
indaga-me, se queres, com teus olhos noturnos,
mas em teu nome deixa-me navegar e dormir.

As estrofes acima são apenas o trecho inicial de um longo poema de amor, dos mais celebrados de Neruda. Aqui a premissa de louvar a amada aparece com um elogio ao seu nome, esse é o ponto de partida para elevar suas virtudes.

Encontramos ao longo do poema uma série de elementos que fazem referência à natureza (a terra, os frutos, o rio). Profundamente simbólico, o enaltecimento ao nome ganha contornos poéticos inimagináveis.

Terminamos a leitura suspirando, admirados com a potência do amor e com o talento de Neruda para transmitir através de palavras a magnitude do sentimento.

Pablo Neruda (1904-1973)


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête