Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pêlo
e por estas ruas me vou sem alimento, calado,
não me nutri o pão, a aurora me altera,
busco o som líquido de teus pés neste dia.

Estou faminto de teu riso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso silo,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer teu pé como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado em tua formosura,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de tuas sobrancelhas.

E faminto venho e vou olfateando o crepúsculo
buscando-te, buscando teu coração quente
como uma puma na solidão de Quitratúe*.


Conhecido como o poeta das mulheres, o elogio à amada é uma constante na obra poética de Pablo Neruda. No soneto acima lemos a urgência do amor e a impressionante capacidade que a amada tem de saciar o desejo e as necessidades do amante.

O sujeito poético é representado como alguém dependente, que precisa da parceira para se manter de pé. O enamoramento aparece como algo da ordem da fome e da pressa, sublinhando um registro da carência e da incompletude.

Chegamos a conclusão, após a leitura dos versos, que só é possível encontrar calma e aconchego quando se tem a amada ao seu lado.

*Quitratúe: cidade Chilena,

Fonte:culturagenial


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête