Sacra Conversazione (Pala di Brera, Pala Montefeltro, ou Sacra Conversazione, em italiano) é uma pintura a óleo de cerca de 1472 de Piero della Francesca, mestre pintor italiano do Renascimento, e que se encontra actualmente no Pinacoteca de Brera de Milão. Algumas partes da pintura, em particular as mãos do duque doador, Federico da Montefeltro, são atribuídas a uma intervenção posterior de Pedro Berruguete, pintor da corte do duque, em cerca de 1474.

Sacra Conversazione, 1472 - Piero della Francesca
Início do Renascimento – 248 x 170 cm – Pinacoteca de Brera, Italy

A Sacra conversazione é um exemplo da pesquisa perspéctica realizada pelos artistas da Itália Central no final do século XV. É uma obra monumental, com um magnífico tratamento da luz, abstrata e imóvel, e com um repertório iconográfico de riqueza extraordinária. Em primeiro lugar, são invulgares tanto o tamanho como a ausência de compartimentos laterais, como nos polípticos tradicionais, resultando na primeira Sacra Conversazione desenvolvida principalmente na vertical. Inúmeros painéis de altar, em todo o centro-sul da Itália, são inspirados nela.

A pintura apresenta a Virgem Maria no trono, ao centro, numa posição de adoração, com as mãos juntas sobre o Menino Jesus que dorme ao seu colo. A sua figura domina a cena e o seu rosto é o ponto de fuga de toda a composição. O trono encontra-se assente sobre um precioso tapete anatólico, um objecto raro e precioso inspirado em pinturas semelhantes da pintura flamenga.

O Menino Jesus tem pendente do pescoço um pingente de coral que se refere ao vermelho do sangue, um símbolo da vida e da morte, mas também da função salvífica da ressurreição de Cristo. A própria posição de adormecimento era uma prefiguração da morte futura na cruz.

Ao redor de Maria há um grupo de anjos e santos. Este agrupamento central de santos é raro, mas encontra-se antes na oficina de Murano dos Vivarini e num políptico de 1439 de Antonio Alberto presente na igreja de San Donato de Urbino. Provavelmente a posição foi escolhida pelo comprador/doador, o duque Federico da Montefeltro, que está no canto inferior direito, ajoelhado e com armadura, em ligação com um sentimento que lhe era caro, o da piedade filial. Federico está colocado mais exteriormente, fora do círculo de anjos e santos, como prescrevia o cânone hierárquico da iconografia cristã renascentista. As vestes, muito apreciadas, as pedras dos anjos e a armadura do duque foram pintadas com particular detalhe, de acordo com um gosto tipicamente flamengo.

O fundo da composição é a abside de uma igreja com estrutura arquitetónica clássica.

A elaboração perspética da pintura converge para um único ponto de fuga, colocado ao nível dos olhos da Virgem, cujo rosto oval está perfeitamente alinhado com o ovo de avestruz pendurado na bacia absidal e de que reproduz a forma perfeita. A harmonia da composição é obtida através da repetição de um módulo circular: o arco abobadado ao alto, o fundo marcado por painéis de mármore e os santos ao redor da Virgem sublinhando a estrutura semicircular da abside.

Os seis santos estão ao lado da Virgem, no mesmo plano.

Muitos dos santos mostram as feridas do seu martírio, e mesmo o Duque, com o elmo amolgado, lembra o sofrimento terreno. Nas joias usadas pelos anjos, ou na cruz que São Francisco tem na mão direita, o pintor demonstrou o nível do seu virtuosismo ao criar reflexos luminosos nas várias superfícies, mesmo as mais ínfimas e escondidas, como faziam os pintores flamengos.

Fonte:wikiart


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Equipe Tête-à-Tête