Na minha pátria tem um monte.
Na minha pátria tem um rio.
Vem comigo.
A noite sobe ao monte.
A fome desce ao rio.
Vem comigo.
E quem são os que sofrem?
Não sei, porém são meus.
Vem comigo.
Não sei, porém me chamam
e nem dizem: “Sofremos”
Vem comigo
E me dizem:
“Teu povo,
teu povo abandonado
entre o monte e o rio,
com dores e com fome,
não quer lutar sozinho,
te está esperando, amigo.”
Ó tu, a quem eu amo,
pequena, grão vermelho
de trigo,
a luta será dura,
a vida será dura,
mas tu virás comigo.


Pablo Neruda, além de ser conhecido por seus poemas de amor, era também um poeta bastante comprometido com os problemas do mundo, declarando-se comunista.

Em O monte e o rio, especificamente, o escritor consegue unir os dois temas em um só poema. Aqui, relata sua busca pela transformação social e o desejo de que sua amada siga com ele pelos caminhos de uma renovação coletiva e lhe dê o aconchego necessário na “vida dura”.

Pablo Neruda (1904-1973)


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête