“É o maior cosmos poético que se criou depois de Dante. Não ignoro que muita gente, embora admitindo o fato, não quer saber disto: o culto de Shakespeare seria sinal de passadismo. A pior resposta que se pode dar a esse disparate é a tentativa de demonstrar a ‘atualidade’ de Shakespeare, nas suas alusões políticas, observações psicológicas etc. As tragédias, HamletMacbethRei LearOtelo, e as comédias, Como quiserdesNoite de reisMedida por medida, e as peças históricas, Ricardo IIHenrique IVRicardo IIICoriolano, Júlio CésarTroilus e Cressida, e as chamadas ‘romances’, CymbelineConto de invernoA tempestade, e peças “inclassificáveis” como Antônio e Cleópatra ou Timon, constituem, em conjunto, uma ‘enciclopédia do comportamento humano’; são um comentário permanente da vida, esclarecida pelo maior conhecedor intuitivo dos homens e dos seus destinos que jamais apareceu na terra: e nesse sentido são de atualidade eterna, garantida pelo fato de que o criador desse para-mundo era o maior poeta da literatura mais rica em poesia de todas as literaturas. A conquista, para nós, desse reino de poesia dramática vale todos os esforços.

São um comentário permanente da vida humana, esclarecida pelo maior conhecedor intuitivo dos homens

A influência de Shakespeare já chegou a renovar, ou antes propriamente, a criar uma grande literatura: a alemã, no século XVIII. Não é provável que esse caso, ligado a especiais circunstâncias históricas, se repita em outra parte. Mas o que se pode repetir, porque só foi devido a esforço inteligente e tenaz, é o caso da criação e renovação completa, no mais alto nível, do teatro alemão pelo repertório shakespeariano. 

Fonte:ottocarpeaux.medium


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Equipe Tête-à-Tête