Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma…
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.


Composto no mesmo ano do Soneto de contriçãoTernura também veio ao mundo em 1938 e tem como tema igualmente as consequências provocadas pelo amor romântico.

Aqui a pegada do poetinha traduz um enamoramento profundo pela amada, a quem pede desculpas inicialmente pelo amor repentino e demasiado. É como se o apaixonado não conseguisse controlar a sua entrega e se colocasse inteiramente a disposição do sentimento que o arrebata.

Apesar da intensidade provocada pelo querer, o eu-lírico garante que o amor sentido se traduz numa espécie de sossego invulgar, uma calmaria em meio ao caos.


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête