Tristeza não tem fim
Felicidade sim…

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar.

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei, ou de pirata, ou da jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira.

Tristeza não tem fim
Felicidade sim…

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor.

A felicidade é um coisa louca
Mas tão delicada, também
Tem flores e amores de todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo isso ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato sempre dela muito bem.

Tristeza não tem fim
Felicidade sim…


Nos versos acima Vinicius de Moraes discorre sobre o ideal máximo do ser humano: alcançar a felicidade. Para ilustrar os seus versos o poetinha tece uma oposição entre a felicidade e a tristeza, depois vai comparando a felicidade a partir de exemplos reais e cotidianos (a felicidade é como a pluma, a felicidade é como a gota de orvalho).

A beleza do poema é justamente essa impossibilidade de nomear o que é a felicidade, mas o manancial de possibilidades que é apresentado ao tentar descrevê-la.


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête