Em um pequeno parque afastado da agitação da linda cidade de Lucerna, na Suíça, se encontra o monumento mais triste e dramático que já pude visitar pelo mundo afora. O escritor Mark Twain, compartilhando da mesma opinião, proclamou o Monumento do Leão de Lucerna (Löwendenkmal) como “a pedra mais triste e comovente do mundo“.

O leão com cerca de 10 metros de comprimento e 6 metros de altura, todo esculpido numa rocha, surpreende não apenas pelo realismo, mas pelo teor de sua história. Projetado pelo dinamarquês Bertel Thorvaldsen, o monumento teve a execução confiada ao escultor suíço Eggenshvelleru, que infelizmente morreu ao cair de um andaime e fora substituído pelo alemão Lukas Ahorn (1789-1856) que terminou a obra em agosto de 1821.

O monumento representa, com certo romantismo, a trágica perda de 700 soldados da Guarda Suíça, a serviço de Luís XVI durante a Revolução Francesa. Os militares foram massacrados no palácio de Tulherias, em Paris, no dia 10 de agosto de 1792, pela violência de homens movidos pela frustração e raiva, contra um rei traidor.

A iniciativa de criar o monumento partiu de Karl Pfyffer von Altishofen, um oficial da Guarda Suíça, que, chocado com a morte de seus companheiros, decidiu homenagear a honra e a coragem destes guardas que defenderam tão bravamente o Palácio de Tulherias. O leão representa o feito heroico dos guardas que se sacrificaram pela salvação do rei de um país estrangeiro.

No monumento há a inscrição “Helvetiorum fedei ac Virtuti“, que significa “Glória à lealdade e à coragem dos suíços“. Impossível não se emocionar com a imagem que retrata os últimos minutos de vida de um leão moribundo sobre um leito de escudos e lanças.

Pena que a vasta maioria de turistas que por ali desfilam para selfies, fotos “transadas” para Instagram ou até fazendo piadas (futuros Memes) com o monumento, não fazem ideia do porque da existência deste. Alguns pensam até que se trata de um monumento a Mufasa do desenho Rei Leão. Talvez por isto que honra, coragem e integridade sejam palavras quase ultrapassadas em nossa sociedade atual.

(Pequeno trecho do livro “A Toca do Lobo – Como Não Enlouquecer Numa Pandemia”


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête