As origens do conservadorismo

Alguns conservadores associam seus pensamentos aos escritos de Cícero e Aristóteles. Todavia, o conservadorismo, enquanto doutrina política, surgiu nos séculos XVII e XVIII, período de rápidas transformações na Europa, das grandes revoluções burguesas, do surgimento de novas doutrinas, ideologias e políticas.

O termo vem da palavra francesa “conservateur”, que apareceu durante a Revolução Francesa. Esta expressão designava: os opositores dos jacobinos, de Napoleão e os que defendiam o Antigo Regime.

  • Você sabia que o surgimento da direita e esquerda política tem a ver com a Revolução Francesa?

O primeiro uso estabelecido do termo originou-se com François-René de Chateaubriand em 1818, durante o período de restauração de Bourbon que procurou reverter as políticas da Revolução Francesa.

O primeiro grande teórico do conservadorismo é o inglês Edmund Burke.

Em 1790, ele previu que a Revolução decairia em terror e ditadura.

Por ter jogado fora instituições testadas pela experiência humana em troca de promessas e esperanças humanas sem garantia de algo melhor, David Hume, criador da teoria do ceticismo político, é também considerado um dos mais importantes teóricos do conservadorismo.

Desde então, o termo passou a descrever uma ampla gama de experiências políticas. É uma postura pautada em valores e crenças, e não uma ideologia.

O termo é historicamente associado à política da direita, mas compreende diversas experiências e pensamentos.

O próprio Burke criticou veementemente a Revolução Francesa, embora apoiasse a Revolução Americana.


Conservadorismo político

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Na política, o conservador procura conservar as instituições políticas e sociais que se desenvolveram ao longo do tempo. Eles entendem que elas são frutos dos usos, costumes e tradições daquele povo.

Uma sociedade saudável está aberta a mudanças, contanto que sejam cautelosas e graduais.

A política do conservador é a política da prudência, preferindo manter e melhorar as instituições estáveis e testadas; e recusando tentar rupturas para implantar modelos de sociedade e instituições que foram imaginadas, frutos de ideias não provadas pelo tempo.

E como os valores conservadores se relacionam com a economia?


O conservadorismo na economia

A economia é o principal ponto onde não há consenso entre as distintas correntes do pensamento conservador. Porém, como na política, há alguns pontos que são comuns.

A economia deve também ser pautada nos valores imutáveis da lei natural. Portanto, há uma moralidade a ser respeitada também no campo econômico.

Os principais aspectos que defendem são:

  • propriedade privada;
  • protecionismo alfandegário;
  • desenvolvimentismo;
  • nacionalismo.

Há grupos conservadores que defendem o livre mercado junto com os liberais. Mas nem todos encaram bem a abertura dos mercados e a globalização econômica.

Deste assunto fica a pergunta, é possível ser conservador e liberal ao mesmo tempo?


Existe um conservadorismo liberal?

Como anteriormente se disse, algumas correntes veem com bons olhos o mercado à moda liberal. Já outras não compactuam com a abertura dos mercados e com a globalização econômica.

Alguns conservadores rejeitam a ideia de Estado mínimo. O ponto central do debate entre liberalismo e conservadorismo é o valor da liberdade.

Para o conservador, a liberdade é algo essencial e que se constrói com o tempo. Para o liberal, é um valor absoluto e o ponto de partida de qualquer regime.

Assim, é possível compactuar com ideais conservadores e defender o liberalismo de mercado, mas é impossível juntar plenamente as duas correntes de pensamento.


Alguns autores conservadores

Dentre as referências dos autores conservadores, destacam-se:

  • Edmund Burke (inglês, 1729-1797): grande crítico da Revolução Francesa, lutou pela república e pela preservação do cristianismo;
  • Joseph de Maistre (francês, 1753-1821): defensor da monarquia e opositor do movimento revolucionário francês;
  • Louis de Bonald (francês, 1754-1840): defendeu o Antigo Regime, a Igreja Católica, a restauração da tradição e a monarquia;
  • Alexis de Tocqueville (francês 1805-1959): era defensor da descentralização do poder, da liberdade ordenada e dos costumes locais;
  • Russell Kirk (americano, 1918-1994): considerava a política como um meio de preservar a ordem natural, não como um aparelho ideológico para transformar a natureza humana. Opunha-se à violência das revoluções;
  • Roger Scruton (britânico, 1944-2020): é este uma das referências contemporâneas, foi um grande escritor propagador das ideias conservadoras;
  • Jordan Peterson (canadense, 1962-…): psicólogo clínico, professor e ensaísta.

Críticas ao conservadorismo

As principais críticas às propostas conservadoras são as seguintes:

  • Pautar os valores em uma lei universal barraria a possibilidade do multiculturalismo nas sociedades;
  • A igualdade jurídica é incapaz de atender todas as demandas sociais, especificamente as das minorias, para garantir plena igualdade;
  • Sua política é um fator limitante ao assistencialismo do Estado.

Fonte:brasilparalelo


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Equipe Tête-à-Tête