Dentre as cidades mais visitadas do Brasil e do mundo, grande parte delas possui como atração principal igrejas e prédios da arquitetura barroca. O estilo criado no século XVI apresenta características únicas e foi responsável pelo desenvolvimento do urbanismo.


História da arquitetura barroca — Definição e objetivo

A arquitetura barroca surgiu a partir do catolicismo, na metade do século XVI. O início do estilo se dá através do Concílio de Trento. 

No século XVI, a reforma gerou um rompimento não apenas com a Igreja tal como ela se apresentava, mas ainda seus impactos estenderam-se para a arquitetura, o que foi decisivo para o estilo conhecido hoje como “barroco”. 

Lutero, por exemplo, não considerava ser possível ter algum conhecimento de Deus pela razão natural ou por qualquer obra de mãos humanas. 

Os templos protestantes não tinham ornamentos ou imagens sacras. Na visão da época, os templos não precisavam de qualquer modo de atribuir uma forma visível a Deus. 

O movimento católico de defesa das imagens no campo da teologia, acabou por impactar a arquitetura, mas de modo oposto. 

No Concílio de Trento, os ornamentos, imagens sacras, objetos litúrgicos, todos foram descritos com uma natureza segundo a elevação do homem à Deus por meio da visão e dos sentidos em geral. Na Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, o Papa São Paulo VI descreve a natureza da arte sacra e as alfaias litúrgicas:

“Entre as mais nobres atividades do espírito humano estão, de pleno direito, as belas artes, e muito especialmente a arte religiosa e o seu mais alto cimo, que é a arte sacra. 

Elas tendem, por natureza, a exprimir, de algum modo, nas obras saídas das mãos do homem, a infinita beleza de Deus, e estarão mais orientadas para o louvor e glória de Deus, se não tiverem outro fim senão o de conduzir piamente e o mais eficazmente possível, por meio das suas obras, o espírito do homem até Deus”.

Dessa forma, o Concílio de Trento determinou que a arquitetura passasse a se dedicar pela busca da maior beleza possível, para mostrar a glória de Deus, para fazer da arte um caminho para Deus.

Este foi o marco de início da arquitetura barroca. 

O nome foi dado apenas séculos depois. Barroco, etimologicamente, significa pérola irregular, imperfeita.

O nome vem do fato de as obras possuírem tantos detalhes, que a simetria é de difícil compreensão, dando a impressão de irregularidade. Mas isso não corresponde a um dos principais valores do barroco, quais sejam, ordem e harmonia. 

Poucos anos do início do movimento, o Barroco foi transposto para outros edifícios que não fossem templos cristãos. Admirados com a beleza das obras, os governos e nobres edificaram vários prédios de arquitetura barroca no século XVI adiante.


O barroco e o início do urbanismo moderno

Um outro fator que o Barroco contribuiu para a humanidade foi o planejamento urbanístico. 

Buscando promover o acesso do povo à Basílica de São Pedro, o Papa Sisto V contratou arquitetos e engenheiros para moldarem a estrutura da cidade de Roma.

Segundo o urbanista Armando Petrucci, em obra publicada pela Universidade de Chicago, a reforma de Sisto V organizou:

“longas ruas retas, amplos espaços regulares, uniformidade e repetitividade de estruturas, uso luxuoso de elementos comemorativos e ornamentais [gerando] visibilidade máxima de perspectiva linear”.

A atitude do papa inspirou outros governantes a fazerem o mesmo em suas cidades, passando a organizar as construções de acordo com objetivos sociais. 

As reformas de Sisto V, inspiradas pelo desejo de realizar construções barrocas, alcançaram cerca de 38 km2 da cidade de Roma.     


Lista das principais características do Barroco

As principais características do Barroco são:

  • uso de materiais preciosos, como o ouro, para expressar de forma humana a glória metafísica de Deus e do Paraíso;
  • uso de abóbadas, arcos e contrafortes;
  • união entre a arte da pintura e a arte da arquitetura, dentro de obras arquitetônicas; 
  • uso de muitos ornamentos para ampliar a busca do homem pelo infinito e pela profundidade da vida;
  • uso de cártulas, frontões interrompidos e colunas torsas;
  • fachadas e estruturas arquitetônicas curvas que alongam a perspectiva sobre a construção. 

As curvas dão sensação de profundidade, fazem com que os templos pareçam não ter fim.

Essas sensações buscam levar as almas a experimentar o bem inesgotável, o sentimento de glória, de triunfo. 

As pinturas feitas no teto buscam transmitir de forma visual a máxima bíblica: Buscai as coisas do alto. 

Um exemplo é a igreja de Santo Inácio de Loyola, localizada em Roma.

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Foto do teto da Igreja Santo Inácio de Loyola, em Roma.

As colunas torsas presentes em muitos templos barrocos buscam conotar movimento. herdadas da arquitetura romana de Trajano.

As colunas torsas da Basílica de São Pedro, por exemplo, estão voltadas para o alto, foram construídas em volta do altar principal para mostrar o caminho até os Céus, aberto pelo sacrifício de Cristo, de acordo com a fé católica.

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Foto do Baldaquino da Basílica de São Pedro.

A Basílica de São Pedro é considerada uma obra da transição das artes renascentistas para o barroco. 

Cada detalhe da arquitetura barroca transmite uma mensagem, seja de forma explícita ou através do sentimento gerado. 


Principais exemplos de obras barrocas 

Algumas das principais obras da arquitetura barroca são:

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Basílica de São Pedro no Vaticano – arquitetura barroca italiana

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Catedral de São Paulo, em Londres; arquitetura barroca inglesa.

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Palácio de Versalhes, França; arquitetura barroca francesa.

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Palácio do Louvre, em Paris – Atual Museu do Louvre.

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Igreja barroca de Ouro Preto, Igreja São Francisco de Assis.

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Fonte:brasilparalelo


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Equipe Tête-à-Tête