A formação da União Soviética foi um marco na história da humanidade, um dos impérios de maior extensão da história e o primeiro governo declaradamente ateu. As profundas alterações promovidas na Rússia durante o século XX ainda permanecem vivas e presentes hoje.

O que você vai encontrar neste artigo?

  1. Como a União Soviética se formou? [Resumo]
  2. Os países que formaram a União Soviética
  3. O que ocorreu para que a União Soviética acabasse?

Como a União Soviética se formou? [Resumo]

A União Soviética foi formada em 1922, após o triunfo da Revolução Russa. O nome oficial da União Soviética era União das Repúblicas Socialistas Russas. O país agrupava 15 nações em um único país, liderada pelo poder central de Moscou.

Contexto histórico

As circunstâncias da Rússia do século XIX estavam se modificando. As pessoas já estavam frequentando escolas e o fluxo de informações era facilitado pela atividade inovadora dos trens. Por meio das locomotivas, passageiros de diferentes lugares nacionais e do estrangeiro podiam circular informações.

Nesse período a Rússia era um império, governado por reis absolutistas. Seus reis eram chamados de czares, baseados nos imperadores romanos, os césares.

A classe intelectual da Rússia estava sendo influenciada pelos ideais iluministas europeus durante o século XIX. O povo estava assimilando essas ideias devido à miséria que estavam vivendo.

O desejo por um governo do povo crescia. Um desejo pela democracia, conforme as ideias de Rousseau.

Nesse período, a Europa passava pelas guerras napoleônicas. Napoleão estava atacando e dominando os países chefiados pelos parentes dos Czares Russos.

O envio de soldados e generais para o exterior proporcionou o contato com sociedades diferentes, nas quais os reis estavam limitados pelas constituições e não apresentavam total poder para determinar o destino de seus súditos.

As reformas para limitar o poder real eram ignoradas pela monarquia russa, cujo ordenamento jurídico estava resumido na seguinte lei:

“Sua majestade é o monarca absoluto, não obrigado a responder por suas ações a ninguém no mundo, e tem o poder e a autoridade para governar seus Estados e terras como soberano cristão, de acordo com seu desejo e boa vontade”. 

Em outras palavras, o imperador era inquestionável. Esse fato suscitava indagações no povo, as pessoas se questionavam por que não tinham nada para comer enquanto o Rei possuía vários palácios, por que lutar a guerra dos parentes dele.

Instaurou-se um clima de instabilidade política, embates começaram a acontecer nas ruas.

Era este o contexto quando Alexandre II ascendeu ao trono, em 1855. Ele reconheceu a necessidade de promover uma renovação. Por isso, decidiu reduzir significativamente a censura estatal e determinou a expansão das escolas públicas, inclusive para pobres, adotando um governo menos oligárquico. 

Para viabilizar a disseminação de escolas, Alexandre II elegeu um secretário que, durante duas décadas e meia de serviço público, inaugurou mais de trezentas instituições de ensino.

A população estava contente. Embora houvesse uma minoria radical, inspirada nas ideias de Karl Marx, a parcela moderada dos comunistas estava esperançosa e acreditava que os problemas iriam se solucionar.

Não havia planos para algo semelhante à formação da União Soviética na mente de muitos comunistas moderados.

As reformas foram refreadas quando uma reviravolta abateu a Rússia: o principal movimento revolucionário, Vontade Popular, assassinou Alexandre II. 

Alexandre II, o imperador que reformou a Rússia.

Reunidos em uma assembleia familiar para debater o futuro da Rússia, os Romanov concluíram que as modificações que estavam sendo implementadas haviam surtido efeitos negativos. 

Essa impressão era compartilhada por Alexandre III, um homem que debitou o assassinato do monarca à frouxidão do governo. Foi justamente ele quem ocupou o poder. Alexandre III principiou seu reinado expondo que: 

Não é fundamental incentivar as massas e os cossacos para que eles possam se escolarizar e ter a expectativa de serem mais do que já são”. 

A premissa de sua governança era retroceder as reformas de seu pai, Alexandre II. Com isso, a censura foi restabelecida, escolas foram fechadas, jornais foram encerrados, dentre os quais o principal jornal comunista da época. Atividades universitárias foram extintas. 

Na contramão de seu antecessor, Alexandre III impôs uma restrição total.

A população não havia apoiado o assassinato de Alexandre II pelo movimento Vontade Popular, o Imperador das reformas era bem quisto pelo povo.

Os integrantes do movimento revolucionário compreenderam que a brusca mudança política de Alexandre III, um membro da mesma família, ensejava uma oportunidade para justificar o assassinato de Alexandre II. 

Além disso, conceberam uma estratégia para criar na opinião pública a percepção de que o império era o culpado por todas as mazelas e dificuldades enfrentadas pelo povo.

Essa foi a preparação final para a formação da União Soviética.

Empenhado em gerar um ambiente favorável à revolução, o grupo não tardou a empreender uma tentativa de assassinato também a Alexandre III.


Início da formação da URSS, vida do fundador:  “Lênin”

O pai de Lenin era um dos principais funcionários de Alexandre II, ele foi responsável pela criação de 300 escolas pela Rússia.

Após muitas condecorações no governo do czar Alexandre II, o pai de Lenin enfrentou o processo contrário no governo de Alexandre III. Lenin presenciou seu pai sendo cada vez mais desprestigiado nos tempos de sua infância.

Escolas e universidades eram fechadas. O governo russo estava se tornando cada vez mais um regime oligárquico e tirânico, conforme a nomenclatura política de Aristóteles.

Devido a cultura de seu pai, Lênin e o irmão sempre foram incentivados a estudar muito desde a infância. A família possuía boas condições econômicas.

Lênin se destacava na escola, mas possuía baixo desempenho em lógica.

Já jovem-adulto, uma reviravolta familiar mudaria sua vida para sempre.

Seu irmão era pesquisador em biologia, aparentava ter uma vida tranquila e todos da família tinham orgulho de Sasha. Certo dia, para a surpresa de toda a família, ele foi preso e condenado à morte.

Sasha tinha sido o financiador de uma tentativa de assassinato do Imperador. Ele havia derretido uma medalha de ouro que ganhara por seus méritos escolares e entregado para um grupo revolucionário.

Sua família intercedeu pela sua vida e obteve êxito, tudo o que Sasha precisava fazer era enviar uma carta ao Imperador pedindo desculpas. Novamente surpreendendo a todos, Sasha negou.

Ele escolheu a morte para defender a revolução comunista, tendo lido um texto revolucionário antes de sua condenação.

Ao presenciar tudo isso, Lênin ficou impressionado e passou a estudar os mesmos livros que o irmão, começando através do Manifesto do Partido Comunista e O Capital.


A Revolução Russa

Lênin durante a Revolução Russa, liderando multidões pelas ruas.

Aproveitando o sentimento popular contrário ao Império e usando da articulação comunista já presente no país, Lênin iniciou a Revolução Russa em 1917.

Ele já havia passado anos estudando política, comunismo e articulando o movimento revolucionário.

Lênin conseguiu cooptar artistas e intelectuais para o seu lado, eles escreviam textos populares que driblavam a censura do governo.

Com o apoio do povo e de nomes importantes no país, o movimento comunista crescia. As más políticas do governo apenas favoreciam os revolucionários. Em um episódio conhecido como Domingo Sangrento, o representante do imperador, ausente nesse momento, ordenou o assassinato de todos os manifestantes.

Eles eram liderados por um Padre que tinha solicitações não comunistas, seu manifesto previa a manutenção do atual czar no poder, Nicolau II.

Nicolau II ainda ordenara guerras na Manchúria e na China, visando manter os territórios russos nesses locais.

Insatisfeitos com guerras tão distantes e desnecessárias, muitos militares desertaram e tornaram-se membros do partido comunista.

A fome na Rússia só crescia, o governo estava em queda vertiginosa.

Em 1917, a população explode. As pessoas foram às ruas mesmo sem uma liderança as conclamando, já não aguentavam mais a situação. Lênin, Trotsky e Stálin foram às pressas do exílio na Europa para a Rússia.

Eles chegaram a tempo de comandar a multidão e invadir o Palácio de Inverno, onde encontraram nenhuma resistência militar. 

Os revolucionários atiraram na família imperial a queima roupa, dando fim ao Império Russo. 

Um governo provisório burguês toma o poder mas não se sustenta, as alterações que eles planejavam eram lentas demais para a necessidade do povo.

Chega o momento no qual Lênin toma o poder.

Após a desistência do exército branco em retornar à monarquia na Rússia, os comunistas tomam o poder de vez.

O governo comunista não estava conseguindo melhorar a situação do país, a fome e a pobreza estavam piorando. Nessa época, um novo plano vem à tona: unir todos os países vizinhos.


O Criador da União Soviética

Assim nasce a União das Repúblicas Socialistas Russas, criada sob a liderança de Vladimir “Lênin”. A URSS era um sistema republicano, com as outras 15 nações atuando como federações da União, poder central localizado em Moscou.

Lênin acreditava que o auxílio de cada país eslavo permitiria a sobrevivência do regime. Ele buscava formar uma nação soberana e independente, que seria comunista e conseguiria vencer as nações capitalistas e conservadoras. 

Devido a moral relativista do comunismo, um dos primeiros feitos da URSS foi a liberação do aborto no país. O governo incentivava a prática.

A intenção era formar um país contrário a costumes conservadores, capitalistas e cristãos.


Os países que formaram a União Soviética

Os 15 países que formavam a União Soviética eram:

  1. Rússia; 
  2. Ucrânia;
  3. Letônia;
  4. Lituânia;
  5. Estônia;
  6. Geórgia;
  7. Armênia;
  8. Azerbaijão;
  9. Bielorrússia;
  10. Cazaquistão;
  11. Moldávia;
  12. Quirguistão;
  13. Tadjiquistão;
  14. Turcomenistão; 
  15. Usbequistão.

O que ocorreu para que a União Soviética acabasse?

Soldado soviético visto através de muro quebrado, durante o período do fim da União Soviética.

Ao falar sobre os principais ocorridos para o fim da União Soviética, é importante lembrar que o país nunca esteve sem crises. A URSS passou pela morte de milhões na Revolução de Lênin, Holodomor e gulags com Stalin, e depois estagnação econômica e política com Brejnev.

Logo após o exército branco desistir de acabar com o comunismo, por causa da ausência de sucessores russos ao trono, Lênin necessitou recriar o capitalismo na URSS. O país estava sem insumos básicos para sobrevivência, forçando Lênin a criar a Nova Política Econômica (NEP).

Após a morte de Lênin, Stalin assumiu o poder e criou um reinado de terror, tendo sido denunciado pelo seu próprio sucessor do partido comunista, Nikita Kruschev. 

O principal momento da desestalinização da URSS foi o discurso de Kruschev no XX Congresso do Partido Comunista, onde ele repatriou muitos dos exilados políticos de Stalin e revelou os piores feitos do ditador.

Stalin havia desenvolvido ainda mais os gulags criados por Lênin, os campos de concentração comunistas que inspiraram os nazistas. Ele ainda assassinou diversos opositores políticos e causou um genocídio contra 14 milhões de pessoas na Ucrânia.


Fim da União Soviética

Após a II Guerra Mundial e o fim do terror de Stalin, a URSS ainda passava por crises econômicas. Os principais motivos eram a falta de produtos básicos e a formação de um oligopólio por parte dos membros do partido.

O presidente Brejnev criou uma política de manutenção dos funcionários públicos por anos em seus cargos. A partir daí, o oligopólio piorou, já que os membros do Partido gozavam de estabilidade quase que total. 

A falta de economia de mercado na URSS fez com que a pobreza se acentuasse cada vez mais de 1917 até 1991.

Com o sistema comunista prejudicando a população, os países membros da URSS começaram a deixar a República Socialista. A Polônia, Hungria e Alemanha Oriental conseguiram se desvencilhar da URSS após anos de luta.

Não existindo outra saída, o presidente Gorbachev anunciou o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Os países passaram a ser independentes e abertos ao livre mercado, embora a Rússia continuasse a ser comandada pelas mesmas pessoas.

A União Soviética influenciou o mundo investindo em atividades comunistas pelo globo, especialmente devido à Guerra Fria.

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Fonte:brasilparalelo


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Equipe Tête-à-Tête