Era uma manhã de verão, e uma pata havia botado cinco ovos. Ela estava aguardando impaciente a chegada de seus filhotinhos.

Assim, quando o primeiro ovo se partiu, mamãe pata ficou muito contente. Logo os outros patinhos também começaram a nascer. Mas havia um ovo que demorou para se quebrar, deixando-a ansiosa.

Passado algum tempo, o último filhote finalmente conseguiu sair do ovo. Mas quando mamãe pata o viu, ela não ficou muito satisfeita e exclamou:

– Esse patinho é muito diferente, muito feio. Não pode ser meu filho!

– Ah! Alguém te pregou uma peça. Disse a galinha que morava ali por perto.

O tempo foi passando e o patinho feio foi ficando cada vez mais feio, cada vez mais diferente de seus irmãos e cada vez mais isolado. Os outros animais zombavam dele, o que o deixava entristecido e angustiado.

Então, quando o inverno chegou, o patinho resolveu partir. Ele andou bastante e encontrou uma casa, assim, resolveu entrar pensando que lá talvez alguém gostasse dele. Foi o que aconteceu. Havia um homem que o acolheu, assim, o patinho passou esse tempo muito bem.

Mas, esse homem tinha também um gato, que um dia levou o pato para fora de casa, deixando-o sozinho e triste novamente.

O patinho saiu caminhando e depois de muito andar encontrou um lugar muito bonito, com um lago. O pato viu um cantinho aconchegante e foi até lá descansar. Nesse momento, algumas crianças que estavam por perto, perceberam a chegada de uma nova figura. Elas ficaram encantadas e disseram:

– Vejam, temos um visitante!

– Nossa! E como é lindo!

O patinho não entendeu de quem as crianças estavam falando, mas quando ele se aproximou do lago e viu seu reflexo na água, avistou um maravilhoso cisne. Então, ao olhar para o lado, ele se deu conta de que outros cisnes também moravam ali.

Dessa forma, o patinho descobriu que na verdade, ele era um cisne. Desde então, ele passou a viver entre seus iguais e não ficou mais angustiado.


Esse conto foi escrito pelo dinamarquês Hans Christian Andersen em 1843 e transformou-se em filme da Disney em 1939.

A história nos fala sobre aceitação e pertencimento. O patinho, depois de ser muito humilhado e experimentar sentimentos de angústia, desamparo e baixa auto estima, consegue se dar conta de seu valor. Isso porque ele descobre que, na verdade, estava inserido em um ambiente que não era o seu por natureza, pois ele era um cisne.

Em alguma medida, a narrativa conta sobre emoções presentes no universo infantil. Muitas vezes, as crianças sentem-se deslocadas entre os amigos e mesmo na própria família. Tais emoções, se não tratadas, podem ser levadas para a vida adulta também.

Então, a história do patinho feio nos mostra uma busca interior em direção a um resgate e descoberta de nossa potência como seres humanos, assumindo toda a nossa “beleza” e auto-amor escondidos.

É um conto que explora também a questão do “diferente”. Pois, o patinho não era nem um pouco parecido com seus irmão, não se adequando e vivendo sempre isolado. Mas, à medida que sai em busca de sua totalidade, ele se depara com sua força na diferença, afinal, todos nós somos diversos uns dos outros.

Vale lembrar que o pato é um animal “híbrido”, que vive tanto na água quanto na terra, simbolizando assim o diálogo entre o mundo do consciente e do inconsciente.

Fonte:culturagenial


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête