As Respigadoras (em francês: Des glaneuses) é uma pintura a óleo sobre tela do pintor francês Jean-François Millet completada em 1857 e que se encontra actualmente no Museu de Orsay, Paris.

As Respigadoras representa três camponesas ao respigo de espigas de trigo caídas no chão após a colheita. A pintura é famosa por apresentar de forma simpática as que então eram as camadas mais baixas da sociedade rural, tendo sido mal recebida pela alta sociedade francesa da época.

As Respigadoras é um exemplo de realismo. Millet procurou captar a verdadeira essência do que era o trabalho destas mulheres. Não tentou idealizar a imagem, mas ao invés ele captou a “fealdade” da pobreza e do trabalho manual. Representa três mulheres camponesas de forma destacada em primeiro plano, inclinando-se para recolher os restos de uma colheita do trigo. O olhar delas não se encontra com o espectador e os seus rostos são obscuros.

Em fundo, uma grande quantidade de molhos de trigo estão a ser empilhados, enquanto um proprietário assiste e superintende à direita. O senhorio só supervisiona os trabalhadores ao fundo, o que implica que as mulheres em primeiro plano estão num nível tão baixo que não vale a pena serem controladas. Millet decidiu focar as mulheres e pintou-as com um maior contraste. As mulheres estão dobradas abaixo do horizonte e não o alcançam. Isto parece representar a imobilidade social, pois cada um assim como nasce assim permanece.

As mulheres são equiparadas à terra. As cores das suas roupas esbatem-se na paisagem parecendo que elas fazem parte do campo. O horizonte ilustra a divisão de classes representando o céu a classe superior inatingível. Ironicamente, ainda que em situação de pobreza, as mulheres não estão vestidas com trapos, mas antes roupas decentes. A suavidade das mulheres e o aspecto não remendado da roupa suaviza a imagem, mas permanece o retrato da feiúra e aspereza do trabalho que Millet pretende captar.

Através do desalinhamento dos pontos de fuga entre as três mulheres (fixados ao longo das suas costas), e em particular nunca os alinhando com o foco central do fundo, Millet transmite a mensagem de que, ainda que ocupem a mesma tela com a abundância retratado ao fundo, as mulheres de classe inferior nunca farão parte daquela abundância – ocupam o seu próprio espaço tendo por cima outra camada, tanto na pintura como na vida real, sendo a expressão da inacessibilidade ao topo das classes mais baixas através da mobilidade social.

Jean Francois Millet nasceu em 1814, de condição pobre e pensava que “tendo nascido camponês, camponês iria continuar a ser” , mas o pai dele pensava de modo diferente, acreditando que ele iria ser um pintor. Depois Millet afirmou a sua crença no “lado humano” da arte, e decidiu “não pintar nada que não fosse o resultado de uma impressão recebida directamente da natureza, seja na paisagem seja em figuras humanas.” Embora o seu trabalho tenha sido fortemente criticado pelo foco em coisas reais que ele tinha experimentado, e não em retratos ou arte da época, Millet não vacilou na sua crença.

Fonte:wikiart


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Equipe Tête-à-Tête