“Não há na natureza paixão mais diabolicamente impaciente como a daquele que, tremendo à beira dum precipício, pensa dessa forma em nele se lançar. Deter-se, um instante que seja, em qualquer concessão a essa idéia é estar inevitavelmente perdido, pois a reflexão nos ordena que fujamos sem demora e, portanto, digo-o, é isto mesmo que não podemos fazer. Se não houver um braço amigo que nos detenha, ou se não conseguirmos, com súbito esforço recuar da beira do abismo, nele nos atiraremos e destruídos estaremos. Examinando ações semelhantes, como fazemos, descobriremos que elas resultam tão-somente do espírito de Perversidade. Nós as cometemos porque sentimos que não deveríamos fazê-lo.”

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Difícil selecionar apenas uma citação marcante deste conto, que é um dos mais psicológicos e teóricos e menos narrativos de Poe, porém esse trecho parece transparecer bem a incrível ideia do texto. Neste conto, o narrador pondera sobre o citado no título Demônio da Perversidade, que é o ímpeto humano de fazer aquilo que não deve fazer, pelo simples motivo de que não deve mesmo, de fazer aquilo que o levaria à sua própria destruição. Tal linha de pensamento pode ter sido uma das influências de Freud no desenvolvimento da teoria da repressão do subconsciente.

Fonte:notaterapia


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Equipe Tête-à-Tête