Para responder à pergunta do título, leia com atenção a citação abaixo escrita pelo filósofo, teórico político inglês, que escreveu sobre filosofia da história, filosofia da religião, estética, filosofia da educação e filosofia do direito, Michael Oakeshott (1901-1990), e que resume as preferências que caracterizam as pessoas com esta inclinação:

“Ser conservador, então, é preferir o familiar ao desconhecido, o testado ao nunca testado, o fato ao mistério, o atual ao possível, o limitado ao ilimitado, o próximo ao distante, o suficiente ao abundante, o conveniente ao perfeito, o riso presente à felicidade utópica”.

Ao ler o parágrafo acima, provavelmente você se perguntará: Será que sou então um conservador?

Em certa medida, não tenho dúvidas que sim. Ao defender e tentar preservar determinados costumes, tradições, valores, lugares, famílias, objetos e comportamentos que nos são familiares, por considerá-los indispensáveis à nossa felicidade, por traduzirem um sentimento de pertencimento como aquele que sentimos ao estar no aconchego do nosso lar, estamos sendo conservadores.

A tomada de consciência da constatação feita acima, de que todos queremos preservar algo que nos faz feliz, verificável em nós mesmos e naqueles que nos cercam, é de fundamental importância para que possamos começar a desmontar a narrativa que gerou e alimenta permanentemente o preconceito negativo acerca do termo “conservador”, e trazer à luz aquilo que realmente o define e o torna tão especial depois de revelado.

Como é fácil de perceber, embora todos tenhamos pelo menos uma parcela conservadora conforme mencionado nas preferências citadas por Oakeshott, isto não significa que possam ser considerados como conservadores, de acordo com os cânones do pensamento, aqueles que defendem, por exemplo, utopias de um mundo melhor, futuras ou passadas.

A disposição do homem conservador, que o diferencia dos demais, é caracterizada pela sua forma de ser e agir, que o leva privilegiar, usar e desfrutar, daquilo que está disponível no seu presente, é sólido e familiar, em vez de desejar ou procurar outra coisa, mesmo que essa outra coisa possa, supostamente, possuir virtudes apreciáveis. Um conservador sempre valorizará o presente em detrimento de qualquer hipótese, pelo simples fato de ser o presente, tudo, menos hipótese.

O conservador teme perder o que lhe é familiar, sobretudo quando isso pode ocorrer de forma abrupta, violenta, privando-o repentinamente do que ama. Para Michael Oakeshott, abraçar a possibilidade de mudança, qualquer que seja ela, e a possibilidade de perda consequente, é ser estranho ao afeto e ao amor.

Ao manifestar sua crítica ao radicalismo dos Jacobinos e ao terror resultante da Revolução Francesa, Edmund Burke traduziu um sentimento comum presente no coração da maioria dos homens sensatos, que é o de não destruir o que se conhece em nome de uma promessa futura e incerta.

Benhur Debastiani Teixeira/Administrador de empresas


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Equipe Tête-à-Tête