Cresci ouvindo políticos, intelectuais e profissionais da mídia em geral, tratarem o conservadorismo como uma espécie de comportamento atribuído às pessoas apegadas ao passado, contra qualquer tipo de inovação e os benefícios possíveis. De tanto ouvir a mesma interpretação repetida diariamente, ad nauseam, cheguei mesmo a pensar que tratava-se de uma verdade inquestionável.

Foi então que, indo na contramão da corrente vigente, procurei por livros que nunca tive acesso na escola, e que nunca foram mencionados pelos intelectuais ou pela mídia, tampouco indicados para que pudesse ampliar minha compreensão do mundo. Os motivos pelos quais os supostos responsáveis pela disseminação das informações corretas não o fizeram, é tema mais complexo e precisa ser tratado com honestidade intelectual, em outro momento.

Por hora, basta que eu diga o quanto foi libertador e reconfortante para mim, encontrar os autores que deram sustentação teórica à verdadeira disposição conservadora, ao contrário do que sempre ouvi e que muitos ainda ouvem. Foi libertador porque saber a verdade sobre qualquer tema sempre o é, e foi reconfortante porque definitivamente pude obter argumentos sólidos para comprovar aquilo que eu sempre soube, mesmo sem ter consciência, ou seja, que ser um conservador é ser comedido, prudente em relação a qualquer tentativa de ruptura da realidade.

As palavras do cientista político norte-americano, Samuel Huntington, descrevem um pensamento que é subscrito por todos os conservadores ao redor do globo, e que comprovam o quão distante estes estão daquilo que o discurso comum tenta vender como um fato:

“Não existe uma distinção válida entre “mudar para trás” e “mudar para frente”. Mudança é mudança; a história não se retrai nem se repete; e toda a mudança se afasta do status quo. À medida que o tempo passa, o ideal do reacionário distancia-se cada vez mais de qualquer sociedade real que tenha existido no passado. O passado é romantizado e, no fim, o reacionário acaba por defender o regresso a uma Idade do Ouro idealizada que de fato nunca existiu. Ele torna-se indistinguível de outros radicais, e normalmente exibe todas as características singulares da psicologia radical”

A citação acima é importante para que as pessoas com pensamento revolucionário saibam que não detém a exclusividade da antipatia conservadora por pretenderem construir um paraíso perfeito na terra. Para o conservador, estes ocupam apenas um dos extremos do espectro político, enquanto os reacionários, pretendendo retornar ao paraíso perdido, ocupam o outro.

Benhur Debastiani Teixeira/ Administrador de Empresas


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête