Betty Friedan era uma dona de casa normal dos Estados Unidos dos anos 60. Limpava a casa, cozinhava, cuidava dos filhos, se encontrava com as amigas. Em 1963, ainda casada e sendo dona de casa, Friedan publica o livro A Mística Femininacausando grandes efeitos sociais, primeiro nos EUA, depois no mundo.

A publicação e o grande sucesso do livro levaram Friedan a se tornar uma das mais importantes militantes feministas do século XX.

O que você vai encontrar neste artigo?

  1. Quem foi Betty Friedan? Biografia
  2. A Face Oculta do Feminismo
  3. O que Betty defendia?
  4. Frases de Betty Friedan


Quem foi Betty Friedan? Biografia

Betty Friedan foi jornalista e uma famosa militante feminista nos EUA. As publicações de Betty nos anos 60 lhe renderam o título de mãe do movimento feminista moderno. O livro A Mística Feminina tornou-se um best seller, e um dos principais guias das feministas de 2ª onda.

Friedan foi presidente de um dos principais grupos feministas do país desde a fundação da instituição, o National Organization for Women (Organização Nacional das Mulheres). O grupo teve a participação de outra feminista importante: Kate Millett, criadora da “bíblia feminista”.

Betty Friedan nasceu no dia 4 de fevereiro de 1921, em Peoria, no estado de Illinois. Seu pai era um imigrante russo, e sua mãe era uma imigrante húngara. Ambos trabalhavam, seu pai era joalheiro e sua mãe, jornalista.

A influência da mãe foi forte, levando Betty a seguir a mesma profissão em sua vida adulta. Antes de ser dona de casa, a juventude de Betty foi agitada. 

Primeiro ela começou a fazer faculdade de psicologia na Califórnia, em 1942, porém, devido ao interesse em política, Betty Friedan decidiu largar o curso para ser jornalista em Nova York.

No início de sua carreira como jornalista, Betty se aprofundou nos estudos sobre política. Foi nessa época que Friedan teve contato com o marxismo, doutrina que aderiu e utilizou para seus estudos feministas.

Em seus anos como jornalista na Federated Pressela era frequentemente convidada para participar de reuniões de sindicatos trabalhistas. Nesse período, ela já era uma feminista-marxista convicta, .

O feminismo de 1ª onda já estava presente nas principais capitais dos EUA, tendo influenciado Betty. Ela passou a militar por mais direitos para as mulheres que trabalhavam em fábricas.

Em 1947, Betty casou-se com Carl Friedan, o publicitário que lhe deu o famoso sobrenome. Em 1956, Betty decidiu tornar-se dona de casa. Ela passou a trabalhar como jornalista apenas de casa, escrevendo artigos para algumas revistas femininas.

Foi nesse momento que Betty começou o trabalho para realizar sua principal obra, A Mística FemininaEm uma reunião com amigas antigas da escola, ela escutou comentários negativos de grande parte das conhecidas que tornaram-se donas de casa. Muitas estavam insatisfeitas com suas vidas.

Betty resolveu ir atrás de donas de casa para perguntar como elas se sentiam com a vida que estavam levando em seus lares. Sua pesquisa durou anos, até o ano de 1963, quando condensou seus estudos em seu famoso livro.

Logo após o lançamento de A Mística Feminina, Betty Friedan tornou-se a principal líder feminista do país do momento. Ela abandonou a vida de dona de casa e voltou à sua antiga militância. Em 1966, fundou o grupo NOW (Organização Nacional das Mulheres) com mais duas amigas, Pauli Murray e Aileen Hernandez.

Nesse período, Betty divorciou-se de seu esposo, Carl Friedan, com quem teve 3 filhos.

A decisão que Betty tomou, e manteve firme até o final de sua vida, foi militar em prol de seus ideais. Ela organizou protestos, palestras, livros e muitas outros ações para defender o movimento e sua ideologia feminista.


Conflitos com o ex-marido

No ano 2000, o ex-esposo de Betty veio à tona para denunciar atitudes ocultas da líder feminista. Ele disse não aguentar mais as acusações que ela havia feito contra ele durante o início de sua militância.

Quando Betty começou a militar publicamente, após o lançamento de seu livro, ela acusou o esposo de a agredir frequentemente. Ela disse em rede nacional que tinha que usar maquiagem constantemente para esconder os ferimentos.

Segundo Carl, era ela quem o agredia. Ele criou um site para contar seu lado da história. Suas falas repercutiram por todo o mundo, ganhando matérias no Washington Post, New York Times, e em outras mídias dos EUA e do Brasil.

O New York Post emitiu um pedido de desculpas a Carl, admitindo que, quando divulgaram os relatos de Betty, o jornal não buscou ouvir o lado da história do ex-esposo.

Após Carl ter feito as declarações em sua defesa, Betty recuou e disse que ele não o agredia, que os dois possuíam “temperamentos quentes” e tinham algumas discussões pesadas. Suas declarações foram feitas em entrevista ao programa Good Morning America.

Ele afirmou que seu temperamento era histérico e forte, que tentava controlá-la, mas ela era muito agitada. Em suas declarações, Carl afirmou que Betty tentou até mesmo esfaqueá-lo. Ele encerrou a entrevista dizendo não aceitar o falso rótulo de agressor, e que sua ex-esposa escreveu “um monte de mentiras”.

O temperamento quente de Betty Friedan foi exposto quando ela ofendeu gravemente a ativista conservadora, Phyllis Schlafly. 

Quando Schlafly disse para Betty, em um encontro público, que a razão pela qual havia tão poucas mulheres no Congresso era por que elas não estavam dispostas a fazer campanha, pois estavam mais interessadas em ter filhos, Friedan revidou chamando-a de “traidora do seu sexo, uma tia Tom ” e dizendo: “Eu gostaria de queimá-lo na fogueira”.

“Uncle Tom” é uma ofensa grave nos EUA. A expressão servia para designar um escravo que trabalhava contra os outros escravos, pois estava querendo agradar o seu “dono”.

Um jornal da época registrou a ofensa de Betty Friedan. 


A Face Oculta do Feminismo

Devido a vasta influência do feminismo e os grandes mistérios que ainda circundam a história do movimento, a Brasil Paralelo elaborou o documentário A Face Oculta do Feminismo.

O feminismo possui um vasto histórico de ações e diversas estratégias elaboradas cautelosamente. Não foi um movimento espontâneo da sociedade.

Grande parte da população não sabe quais são as intenções reais dos autores e grupos que buscam disseminar essa ideologia.

Para mostrar o que está além do que se vê, de uma forma robusta e de fácil compreensão, a Brasil Paralelo investigou a fundo o tema e todos os efeitos gerados na sociedade através dos anos. 


O que Betty defendia?

Betty Friedan defendia: aborto, salários igualitários, oportunidades iguais para homens e mulheres. Essas eram as principais posições da fundadora e primeira presidente da Organização Nacional para as Mulheres.

O slogan mais famoso de Betty, escrito em seu livro, era: o problema sem nome. Ela dizia que as mulheres donas de casa tinham um sentimento de frustração mas não sabiam dizer o que era.

Em A Mística Feminina, ela diz que as empresas dos EUA se aproveitavam da frustração das mulheres e criavam produtos machistas para preencher seus vazios existenciais.

Betty utilizava de argumentos marxistas para defender essa tese. Segundo ela, existia uma luta de classes entre homens e mulheres. Era necessário que as mulheres se levantassem contra essa estrutura para alcançar a igualdade.

Em sua ávida luta pelo aborto, Betty Friedan fundou, em 1969, a Associação Nacional Para Repelir as Leis Anti-Aborto. A associação ainda está ativa, tendo mudado o nome para NARAL Pro-choice America.

Com o desenvolvimeto do movimento feminista, Betty passou a ser muito criticada por grupos feministas mais alinhados ao progressimo moral. Segundo o site “womenshistory.com”, esses grupos afirmavam que Betty estava muito alinhada com os burgueses.

Na década de 70, o movimento feminista se alinhou com o movimento anti-racismo e com o movimento gay, lançando as bases para a 3ª onda feminista, a ideologia de gênero. Betty não estava alinhada com esse pensamento, ela até mesmo chamou as lésbicas de “uma ameaça” para o feminismo.

Sua liderança foi sendo prejudicada, abrindo mais espaço para Kate Millett e outras feministas alinhadas com pautas LGBT, por exemplo. Elas defendiam os primórdios do que seriam as “mulheres trans” e defendiam as lésbicas como uma das principais pautas do movimento, diferente de Friedan.

Betty morreu aos 85 anos, em 2006, devido a um problema cardíaco.


Frases de Betty Friedan

Betty Friedan
Betty Friedan falando com suas companheiras militantes.


Certas frases de Betty Friedan marcaram a cultura moderna, influenciando muitas mulheres e estabelecendo-se como parte da cultura pop. As principais frases de Friedan são:

  • “É mais fácil viver através de outra pessoa do que se completar. A liberdade para liderar e planejar a sua própria vida é assustadora se você nunca a enfrentou antes. É assustador quando uma mulher finalmente percebe que não existe uma resposta para a pergunta “quem sou eu”, exceto a voz dentro de si mesma.” (livro A Mística Feminina, capítulo 14);
  • “O envelhecimento não é juventude perdida, mas um novo estágio de oportunidade e força.”;
  • “Você pode ter tudo, mas não tudo ao mesmo tempo.”;
  • “Mas não será a morada confortável um campo de concentração? As mulheres que vivem segundo a mística feminina não se terão encarcerado nas estreitas paredes do lar? Aprenderam a adaptar-se ao seu papel biológico, tornaram-se dependentes, passivas, infantis, renunciaram a uma personalidade adulta para viver ao nível mais baixo dos objetos e alimentos. O trabalho que executam não exige capacidade adulta; é infindável, monótono, não-compensador.” (livro A Mística Feminina, capítulo XII);
  • “A única maneira de uma mulher, assim como um homem, encontrar-se, conhecer-se como pessoa, é através do trabalho criativo próprio. Não há outro caminho.” ( frase do livro A Mística Feminina).

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Fonte: BrasilParalelo. A Brasil Paralelo é uma empresa independente. Conheça as produções gratuitas. Todas foram feitas para resgatar os bons valores, ideias e sentimentos no coração de todos os brasileiros.


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Equipe Tête-à-Tête