O Retrato de uma Jovem é uma pequena pintura sobre painel, em óleo sobre carvalho, do pintor flamengo Petrus Christus. Esta pintura foi terminada no final da sua vida, entre 1465 e 1470, e encontra-se exposta na Gemäldegalerie, em Berlim. O trabalho representa um avanço no estilo de Christus e, também, nos retratos contemporâneos. O sujeito da pintura está colocado numa posição graciosa, tridimensional e realista, e olha directamente para o observador numa expressão reservada, contudo alerta e inteligente.

Renascimento nórdico – 29 x 22,5 cm – Gemäldegalerie

Esta pintura é considerada como um dos retratos mais requintados do Renascimento nórdico. O historiador de arte Joel Upton descreve a jovem como fazendo lembrar “uma pérola polida, quasi-opalescente, em cima de uma almofada de veludo preto.” O painel revela algumas influências dos primeiros pintores da Renascença nórdica como Jan van Eyck e Rogier van der Weyden, dois pioneiros da escola flamenga primitiva. Christus é considerado como um dos principais pintores da geração seguinte. O painel foi muito influente nas décadas que se seguiram ao seu término. A sua atracção deve-se, em parte, ao olhar intrigante, acentuado pelo facto de os seus olhos não se encontrarem alinhados, enquanto as sobrancelhas estão ligeiramente inclinadas.

Christus enquadra o seu modelo num cenário arquitectural rígido e equilibrado. A jovem está posicionada no interior de um espaço rectangular apertado, à frente de uma parede apainelada. A imagem é dividida pelas linhas paralelas horizontais do lambril e da sua blusa, que se encontram no triângulo invertido formado pelo corte do seu vestido. O desenho do fundo da pintura integra algumas convenções contemporâneas da ilustração de retratos: Christus coloca o modelo em frente de uma parede castanho-escura com pouco detalhe, contrastando com os interiores elaborados de Jan van Eyck, o qual é muitas vezes apontado como o mestre de Christus. O fundo é definido pelo seu material, um dado de madeira ao longo do topo e o painel que forma a zona mais baixa. A parede coloca a jovem num interior real, talvez com o objectivo de representar um espaço no interior da sua casa.

A luz ilumina o espaço, a partir do lado esquerdo, criando sombras na parede, sendo a mais forte aquela criada pelo hennin da jovem. A profundidade do espaço dada pela parede de fundo, fornece a abertura para aquele detalhe, algo que Charles Sterling crê que foi herdado de Van Eyck. A luz cria uma sombra sombria e curva na parede por trás da rapariga, servindo, assim, de contraste ao contorno da face e linha de cabelo do modelo.

A jovem tem a pele pálida, de cor amendoada, olhos com traços asiáticos e uma boca petulante. O modelo reflecte o ideal gótico de feições alongadas, ombros estreitos, cabelo muito bem arranjado e uma quase irreal testa longa, um efeito conseguido pelo cabelo cuidadosamente puxado para trás e preso no topo. A jovem usa roupas e jóias caras, e aparenta ser invulgarmente elegante. O seu olhar está direccionado para fora do próprio quadro de forma obliqua, mas conscientemente, e de tal forma penetrante que alguns historiadores de arte a têm descrito como enervante. Joanna Woods-Marsden refere que transmitir a ideia de que o modelo ter a percepção de estar ser observado, não tinha, praticamente, precedentes, nem mesmo na pintura realizada em Itália. A sua percepção é acentuada pelo corte da pintura, o qual concentra a atenção do observador de tal modo invasiva que parece questionar a relação entre o artista, o modelo, o patrono e o observador.

Fonte:wikiart


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Equipe Tête-à-Tête