A leitura é uma atividade ativa. O leitor deve se esforçar para compreender o verdadeiro sentido das palavras corridas, não existe um caminho fácil para interpretar um texto. As palavras impressas estão paradas em um papel, elas não são interativas ou dinâmicas, não tem sons ou imagens, elas ficam paradas. O leitor precisa lê-las, desvendá-las e arrancar-lhes o sentido.

Veja 6 dicas de como interpretar bem um texto. Você provavelmente não viu essas dicas em outro lugar.

O que você vai encontrar neste artigo?

  1. Os diferentes processos cognitivos envolvidos numa interpretação de texto
  2. 1- Ler não é uma atividade fácil, por mais que muitos digam o contrário
  3. 2- Não instrumentalize sua leitura
  4. 3- A leitura não é uma ato passivo
  5. 4- Ler, reler e reescrever
  6. 5- A gramática e a sintaxe são necessárias sim
  7. 6- Vocabulário, treino, repetição

Os diferentes processos cognitivos envolvidos numa interpretação de texto

pintura-rupestre
Imagem de pintura rupestre em caverna.

Antes das dicas que vão melhorar a forma como alguém interpreta um texto, é interessante compreender os processos cognitivos do ato de ler.

Antes de ler e escrever, o ser humano dependia somente da sua memória. Quando surge o alfabeto, cada letra passa a corresponder a um som. Esses sons unidos criam palavras, e elas expressam pensamentos, expressam o que a memória humana carrega.

Quando isso acontece, as gerações passadas puderam experimentar uma verdadeira novidade: ter acesso a conhecimentos que não precisavam mais ser repetidos uma vez, e outra vez, e novamente, para que não se perdessem e pudessem ser passados de uma geração a outra.

A escrita e leitura asseguraram que a experiência humana acumulada não se perderia.

Tudo mudou radicalmente: a experiência humana passou a ser gravada em algum material perdurável. Agora, ela poderia ser conhecida pelas futuras gerações.

Isso permitiu que o homem ampliasse seu conhecimento em vez de ficar se preocupando somente em memorizar o que aprendia.

A mudança foi surpreendente. Do ponto de vista cognitivo, liberou partes imensas do cérebro humano para atividades inventivas, para a criação de coisas novas, e permitiu um salto de desenvolvimento enorme para a espécie humana.

Ocorreu uma interação entre a oralidade com a tecnologia da escrita. A interação influenciou e moldou ambas as habilidades. Todo ser humano que nasce possui a capacidade de se expressar por meio da fala, já a escrita não é algo inato ao ser humano.

A capacidade de ler, escrever e interpretar textos não é uma capacidade que vem instalada no cérebro humano. Cada pessoa precisa aprendê-las, o quanto antes melhor.

A leitura e a interpretação de um texto são atividades que exigem esforço e técnica. Ao ler, é necessário responder às seguintes perguntas:

  • “é isso mesmo?”;
  • “entendi bem?”;
  • “foi isso que o autor quis dizer?”.

Ler devagar e atentamente permite ler com espírito atento e desconfiado das primeiras impressões, que são as mais superficiais.

A língua escrita é uma tecnologia. Uma ferramenta criada pelo homem. Tem data de nascimento, tem uma evolução histórica e uma técnica identificável. Aprende-se com estudo e prática.

Muitos cursos são vendidos com macetes de leitura, é dito que ler é fácil, todos conseguem, ou que a leitura dinâmica é a técnica a ser seguida, a lista tal que funciona. Leitura é técnica. Como interpretar um texto exige o aprimoramento desta técnica. Seguem as dicas de como fazê-lo:

1- Ler não é uma atividade fácil, por mais que muitos digam o contrário

Ler não é fácil, é um processo repleto de dificuldades, e todas elas são normais. Em maior ou menor grau, surgem complicações no processo. Mesmo que em muitos lugares se ensine o contrário, ler não é uma atividade simples. Exige treino, paciência e disposição.

Um bom domínio da técnica de leitura ajudará a pessoa a interpretar um texto. As próximas dicas também contribuirão para quem deseja extrair mais de cada leitura.

Para ler e fazê-lo bem, o ser humano precisa de concentração, contrariando sua natureza dispersa. A distração é a dissipação da consciência. O esforço de ler e compreender o texto pode ser comparado ao sol.

Ele brilha sem esforço e dissipa ou dispersa seus raios e seu calor. Para concentrá-los num único ponto, é necessário uma lupa. 

Assim como a mente humana é dispersa, a leitura e a interpretação do texto são a lupa que concentra o esforço.

Os raios de sol são a inteligência e a imaginação. Para concentrá-los, é necessário a lupa.


2- Não instrumentalize sua leitura

Um dos maiores problemas de quem lê e busca saber como interpretar o texto é a instrumentalização da leitura. As pessoas leem não pela fruição, pela beleza do texto ou para extrair um aprendizado, mas sim para validar alguma crença pessoal.

Dessa forma, os leitores instrumentalizadores fecham-se às ideias que o autor pretende apresentar, direciona a leitura para confirmar suas próprias ideias. Ficando cega às conclusões que poderia tirar de sua interpretação.

É necessário ler e interpretar texto não para encontrar a confirmação de uma crença pessoal, mas pela beleza do texto, pela estética, para dialogar com o autor e encontrar sentidos no que foi dito.

Ficar buscando um sentido, uma moral torna a leitura um moralismo vazio, ou apenas ler para confirmar o que pensa, e isto é instrumentalizar a leitura.

Para evitar este erro na leitura, é necessário entender que escritores podem ser, muitas vezes, contraditórios, não retilíneos, eles não escrevem para satisfazer a lógica ou a expectativa de ninguém.

Além disso, é importante ancorar-se na ideia que cada palavra nomeia um elemento da realidade. Porém, com o tempo, elas vão ganhando novos significados, vão se tornando polivalentes.

Há um núcleo imutável nas palavras, mas cada uma pode, a depender do contexto que é utilizada, ganhar um sentido específico ou inesperado. O escritor quer que as palavras correspondam perfeitamente à ideia, à imagem construída em sua mente.

É importante buscar como interpretar o texto sem ideias pré-concebidas e sim aberto às impressões que o autor exprimiu no papel.


3- A leitura não é uma ato passivo

monge-leitura
Desenho de monge estudando no scriptorium.

Para se interpretar bem um texto, não se pode tomar a leitura como um ato passivo. Simplesmente escanear as palavras com o olho, sem foco, sem disposição. Muitas pessoas se queixam que leem uma página, ou um capítulo completo e mal sabem dizer o que acabaram de ler.

Isto acontece porque a pessoa fez da leitura um ato passivo, simplesmente passando o olho pelas palavras. Uma leitura ativa que ajuda na compreensão e em como interpretar um texto exige:

  • ler com atenção;
  • fazer anotações;
  • voltar aos trechos que mais chamaram a atenção;
  • comparar as experiências descritas com a própria vida;
  • elaborar analogias semelhantes às do texto.

Uma das melhores formas de se garantir que houve um aprendizado é fazendo resumos do que foi lido. Resumos bem feitos são a essência destilada do texto. A melhor forma de reter algo é escrever de modo ordenado as principais informações.


4- Ler, reler e reescrever

Ler livros não é algo natural e necessário, como caminhar, comer, falar ou usar os cinco sentidos. Não é uma atividade vital, nem no plano fisiológico nem no social. Ler implica uma atenção especialmente consciente e voluntária.

Portanto, quando a pessoa se aventurar em interpretar um texto, deve fazê-lo de modo atento.

Leia o texto, releia para garantir que compreendeu as principais informações e aplique a 4ª dica que é uma espécie de termômetro de como foi a compreensão e o entendimento do que foi lido

Para uma pessoa poder afirmar que entendeu bem o texto que interpretou, ela deve ser capaz de reescrever trechos, ideias e teses do que foi lido.

Conseguir resumir os principais pontos, apresentar as ideias do autor de outro modo, são formas garantidas para a pessoa se assegurar que fez uma boa leitura.

Desse modo, é importante ler trechos de forma devagar, fazer anotações, reescritas e comentários com as próprias palavras.


5- A gramática e a sintaxe são necessárias sim

A Sintaxe é uma parte da gramática que se dedica ao estudo das palavras enquanto elementos de uma frase. As relações que elas estabelecem de concordância, subordinação e ordem.

Organizar um texto sintaticamente é uma das formas de apresentar seu sentido. O sentido é uma consequência inescapável das relações sintáticas das palavras.

A interpretação de um texto é fruto de uma especulação. Para especular com propriedade, é necessário saber explicar o que está escrito. Para isso é necessário o domínio da sintaxe.

Os sinais gráficos existem para que a leitura do texto seja feita com o tom certo e não seja necessário adivinhar o que é dito pelo contexto.


6- Vocabulário, treino, repetição

Treinamento e repetição. Como a leitura e a interpretação de texto são técnicas, quanto mais são praticadas, melhores ficam. Ler amplia a imaginação e mune o leitor de mais conteúdo para as suas interpretações. A leitura também amplia o vocabulário, facilita a compreensão e ajuda a mente a trabalhar novas ideias.

A escritora Eudora Welty dizia: 

“Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma”.

A fórmula para o aprendizado de qualquer técnica ou habilidade segue a mesma, não existe caminho fácil e sim treino e repetição.

Saber como interpretar um texto é essencial para uma leitura proveitosa. Autor e leitor atuam unidos para que a obra cumpra o seu destino e transmita sua mensagem.

Comente e compartilhe. Quem você acha que vai gostar de ler sobre como interpretar um texto?

Fonte:brasilparalelo


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête