Quem foi Pedro Álvares Cabral?

Pedro Álvares Cabral nasceu em 1467 em uma família nobre portuguesa. Ele teve uma educação rigorosa em sua infância. A sua família era bem reputada em Portugal pela dedicação na luta contra os mulçumanos.

Durante o reinado de Dom Manuel, Cabral recebeu o título de Fidalgo do Conselho do Rei e Cavaleiro da Ordem de Cristo. Fidalgo é uma palavra utilizada para se referir a alguém que possui algum título de nobreza.

Em 1499, pela sua hereditariedade nobre e talento nas mais diversas áreas, Cabral também recebeu o cargo de capitão-mor da armada que tinha como destino a Índia.

A viagem partiu para esse destino no ano de 1500, mas muita coisa aconteceu no caminho. Com apenas 33 anos de idade, ele liderou uma grande esquadra que foi responsável pelo descobrimento do Brasil.


Como foi a viagem de Cabral ao Brasil?

Os tripulantes portugueses enfrentaram péssimas condições nas embarcações rumo ao Brasil; alimentação à base de biscoitos secos, os navios cheios de ratos e não havia como tomar banho. 

O mar se manifestava de maneira violenta, tanto que, com apenas oito dias de viagem, a frota enfrentou uma tempestade tão intensa que o barco comandado por Vasco de Ataíde, que contava com 150 homens, sumiu do mapa. 

Eles sabiam do risco que corriam, o mar naquela época era algo inexplorado, desconhecido e onde vários marinheiros perdiam a vida. Muitos se referiam ao Oceano Atlântico como “Mar Tenebroso”.

Por um lado, as embarcações sofriam com as tempestades e por outro, sofriam com a calmaria. Esse é um fenômeno que ocorre quando o mar não tem movimento o suficiente para empurrar as embarcações. Cabral chegou a ficar 20 dias praticamente parado. Enquanto isso, os alimentos e a água potável estavam sendo consumidos pela tripulação.

Essa tripulação era totalmente composta por homens, não era permitido o embarque de mulheres. Meninos de 9 a 15 anos também fizeram parte da viagem. Os marinheiros, os soldados e os religiosos compunham os cargos.


Quando os portugueses chegaram ao Brasil?

No dia 22 de abril de 1500, os portugueses chegaram às terras brasileiras; a viagem durou 44 dias. O primeiro pedaço de terra a ser avistado foi um monte na região que hoje corresponde à Bahia. Como se tratava de uma época de Páscoa, o monte avistado foi batizado de Monte Pascoal.

Descobrimento do Brasil? Invasão? Achamento?

Outro tema sempre vem à tona quando se discute como foram os primeiros contatos entre portugueses e indígenas: Qual o termo adequado para a chegada dos portugueses?

Quem defende o descobrimento é bombardeado por defensores da tese que o Brasil já havia sido descoberto pelos índios. Nesse caso, os portugueses tomaram as terras que pertenciam aos indígenas por direito.

Para outros, a opção de invasão é adequada à visão de violência e genocídio português. Alguns grupos de historiadores ensinam que os índios viviam tranquilamente quando o europeu chegou semeando a desordem.

E, por fim, existe a opção neutra, a de um achamento. Os portugueses acharam um território novo que já era habitado por outro povo.

Dois pontos são necessários entender para bem considerar essa questão:

  1. Os índios não tinham compreensão de posse ou de propriedade da terra;
  2. Tanto o português quanto o índio experimentaram um grande descobrimento em 1500.

Os índios habitavam uma pequena parcela de um território vasto. Uma grande floresta de vegetação alta e densa. O horizonte parecia ser infinito e os povos preocupavam-se apenas em demarcar a área de suas tribos.

Muitos povos eram até seminômades, tendo ainda menos apego à terra. Portanto, “invasão” é um termo apropriado apenas para ataques a tribos, quando eles ocorriam.

A ideia de “achamento”, apesar da neutralidade, traz um erro na sua formulação, como se o território no continente americano fosse um grande fruto do acaso e que os portugueses um dia tiveram a sorte de encontrar.

Essa tese do acaso, em muitas escolas, ainda é ensinada.

Como há um momento de encontro de dois povos que nunca se viram, o termo “descobrimento” é adequado. Os índios encontraram um homem novo, que portavam objetos, roupas, armas e até animais que nunca viram antes.

Os europeus também se depararam com um território completamente novo, um povo nativo com uma língua nunca ouvida e com hábitos peculiares, além de uma fauna e flora ainda não conhecida.

Desse modo, tendo-se em vista o encontro entre duas culturas desconhecidas, é possível nomear o encontro entre europeus e indígenas de descobrimento.


Como foi o primeiro contato entre portugueses e os índios?

Para os portugueses e indígenas, o dia 22 de abril de 1500 foi um momento de descoberta de algo novo. A curiosidade e o espanto foram as duas sensações predominantes. 

Ao contrário do que se pode imaginar, eles não se relacionaram de maneira violenta. As trocas ocorreram por meio do “escambo”, os portugueses entregavam um produto em troca do pau-brasil. Já na parte religiosa, apenas 4 dias após a chegada foi celebrada uma missa que contou com a participação dos indígenas.

A celebração desta missa ocorreu no atual município de Cabrália, na Bahia. Ela foi celebrada por Dom Henrique Soares Coimbra, um dos religiosos que vieram nas embarcações com o objetivo de propagar a fé cristã pelo mundo.

À primeira vista, a troca de mercadorias simples como espelhos, garfos e facas parece muito mais vantajosa para os portugueses, porém, é preciso analisar a demanda de cada povo. 

No Brasil, havia uma abundância de árvores, ou seja, entregar uma quantidade para os portugueses não faria falta aos indígenas. Contudo, eles nunca haviam visto aqueles objetos e não teriam outra oportunidade para consegui-los, isso aumentava o desejo deles em relação ao produto.

Ao analisar, é possível aplicar a lei da oferta e demanda. Como tinha uma grande oferta de árvores, o produto perdia valor para os indígenas. O mesmo se aplica aos portugueses, que tinham grande disponibilidade de espelhos e garfos. Assim sendo, cada um buscou o seu interesse e o escambo trouxe benefícios a ambos os lados.

A melhor descrição sobre o primeiro contato entre indígenas e portugueses foi a carta de Pero Vaz de Caminha. Ele conta que ao ver os indígenas na praia Cabral mandou que pequenos barcos fossem ter contato com eles. Um dos tripulantes desses barcos era Afonso Lopes, que fez com que dois indígenas entrassem e fossem até uma das naus onde estava Cabral:

“Trouxe-os logo, já de noite, ao Capitão, em cuja nau foram recebidos com muito prazer e festa.

A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, de comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como um furador. 

Metem-os pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita como roque de xadrez, ali encaixado de tal sorte que não os molesta, nem os estorva no falar, no comer ou no beber. 

Os cabelos seus são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta, mais que de sobrepente, de boa grandura e rapados até por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte para detrás, uma espécie de cabeleira de penas de ave amarelas, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiço e as orelhas. 

Infelizmente não existe um documento que mostre a primeira impressão dos indígenas ao verem os portugueses. Esses povos indígenas não possuíam um sistema de escrita para narrar o que viram e sentiram naquele momento.

É importante pontuar duas coisas:

  • Existiam vários povos indígenas, ou seja, o primeiro contato de Cabral e sua tripulação foram com os Tupis que mantinham uma relação mais pacífica. Em regiões habitadas pelos Aimorés ou Botocudos, a relação que ocorreu anos mais tarde foi de guerra.
  • Aquele foi o primeiro contato entre índios e portugueses. Essa relação mudou durante a intensificação do processo de colonização do Brasil. Por isso, é muito importante atentar-se à época que está sendo estudada.

Quando os portugueses foram embora do Brasil?

Cabral e a maior parte da sua tropa saiu do Brasil no dia 02 de maio de 1500, ao todo, ficaram 10 dias em solo brasileiro. Apenas dois degredados foram escalados para ficar na terra recém-descoberta. Degredados são presos em Portugal que tinham a pena perdoada por aceitar correr o risco de se lançarem nas grandes navegações.

Além desses homens, duas outras pessoas cansadas da péssima situação nas embarcações, roubaram um barquinho da frota e voltaram para o Brasil na calada da noite. Não há mais informações sobre elas.

O processo de colonização do Brasil tornou-se mais intenso a partir do ano de 1532, com a formação das Capitanias Hereditárias.


Qual a origem do nome “Brasil”?

O primeiro nome do Brasil foi “Ilha de Santa Cruz”, após a frota de Cabral perceber que não se tratava de uma ilha o nome mudou para “Terra de Santa Cruz”. Contudo, um nome não oficial começou a ganhar cada vez mais popularidade: Brasil.

A origem do termo “Brasil” se refere à árvore chamada pau-Brasil que tinha dentro do seu tronco uma tinta vermelha que lembrava a brasa, daí o nome brasil. Essa árvore era muito abundante no país e daí vem a teoria da origem do termo.

Existem também teorias de que o nome Brasil veio de uma ilha fantasiosa que já constava nos mapas medievais. Essa ilha possuía uma maravilhosa vegetação e belas paisagens. Mas parece algo menos provável do que a ideia de que o nome Brasil vem da árvore.

Independente da origem exata do termo, o nome Brasil surgiu como algo coloquial que, pelo intenso uso, tornou-se o nome oficial do país.

Fonte:BrasilParalelo


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Equipe Tête-à-Tête