Doutrina sociológica do século XIX, o Positivismo conquistou diversos adeptos com suas ideias de progresso e ciência. Chegou a ser tão influente no mundo que conseguiu fundar uma religião própria. Compreenda o que é Positivismo, sua história, principais características e ideias.

O que você vai encontrar neste artigo?

  1. Qual o conceito de positivismo?
  2. A origem do pensamento positivista
  3. Quais são as principais características do positivismo?
  4. Ideias que distanciam o homem de sua verdadeira essência
  5. O Positivismo no Brasil

Qual o conceito de positivismo?

O positivismo é uma corrente teórica que crê no progresso contínuo da humanidade. Para os positivistas, a humanidade está constantemente se desenvolvendo em todos os seus aspectos, políticos, morais, sociais e científicos.

Para os positivistas, o progresso contínuo da humanidade é uma constatação histórica. Auguste Comte é o principal fundador da teoria positivista.

A teoria de Comte é focada principalmente no aspecto sociológico, com os trabalhos de John Stuart Mill, o positivismo ganhou aspectos políticos.


A origem do pensamento positivista

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Foto do filósofo Auguste Comte.

Criado no século XIX por pensadores como Auguste Comte, Immanuel Kant e Ernst Haeckel, o positivismo aprofundou as ideias iluministas. Para Comte, a ciência é o norteador do progresso social e a única fonte legítima de conhecimento.

Para os pensadores positivistas, apenas o que é comprovável pelo método científico pode ser considerado um conhecimento legítimo.

O positivismo ganhou vários adeptos no Brasil. Suas ideias influenciaram principalmente os militares e republicanos. Benjamin Constant foi o grande responsável por sua difusão.

Os criadores de ideologias buscam desenvolver planos para a criação de uma sociedade perfeita.

O próprio Auguste Comte, considerado por muitos acadêmicos como o pai da sociologia, afirmou o seguinte em seu livro Discurso Preliminar sobre o Espírito Positivo:

“O espírito humano renuncia de ora em diante às pesquisas absolutas, que só convinham à sua infância, e circunscreve os seus esforços ao domínio desde então rapidamente progressivo da verdadeira observação [da matéria, das coisas relativas], única base possível dos conhecimentos realmente acessíveis, criteriosamente adaptados às nossas necessidades efetivas”.

Segundo Comte, o conhecimento humano consegue compreender toda a realidade, chegando a estabelecer um projeto de uma civilização perfeita. Ele afirmava que seu sistema havia desvendado todos os recônditos da realidade.

Sua ideologia positivista fez uma previsão da nova fase da humanidade. Segundo ele, as religiões seriam superadas, a moral tradicional do Ocidente também, sendo erguida uma sociedade totalmente pautada na ciência e no materialismo. Essa sua ideologia é a base de sua sociologia.

Essa visão faz com que os ideólogos observem a realidade a partir do que pensaram, fechando-se a tudo o que a realidade apresenta e que está fora da sua linha de pensamento.

O termo “positivo” surgiu pela primeira vez na obra Apelo aos Conservadores, escrita por Comte, em 1855. Ele descreve a Lei dos Três Estados, ou seja, as etapas pelas quais a humanidade passou (e passa) em relação às suas concepções e valorização da vida.


Quais são as principais características do positivismo?

Auguste Comte apostava no progresso moral e científico da sociedade por meio da ordem social e do desenvolvimento das ciências. Para o pensador, há uma hierarquia entre as ciências e esta deve ser a base que a sociedade deve seguir:

  1. Sociologia;
  2. Biologia;
  3. Moral;
  4. Química;
  5. Física;
  6. Astronomia;
  7. Matemática.

Para Comte, a sociologia promove o progresso à medida que se baseia nas ciências da natureza. Essas são capazes de decodificar as leis naturais e compreender o funcionamento do mundo.

O sociólogo deve fazer um trabalho análogo na sociedade: descobrir e decodificar as leis sociais, apoiando-se no conteúdo de sua análise e nos fatos.

As principais características do que é positivismo são:

  • teologia política;
  • filosofia da história;
  • tripartição da história;
  • cientificismo;
  • racionalismo;
  • crença na necessidade da ordem para o progresso político e social.

A teologia política e a filosofia da história são características que se conectam à ideia de Comte da Lei dos Três Estados. A história possui um estágio final, que é alcançado por meio do progresso social. Esse progresso é fruto da aplicação da ordem positivista.

Portanto, há um destino da história humana, alcançado por meio de uma política que promove a ordem e o progresso rumo a esse fim.

É por esses motivos que há uma visão teológica da política e filosófica da história na teoria positivista: elas destinam um fim para o homem, um sentido para sua existência.

Esse fim é alcançado na terceira idade, a Idade Científica.

Para Auguste Comte, existem três etapas na história humana:

  • a Idade Teológica – das religiões e mitos;
  • a Idade Filosófica/Metafísica – da conquista da sabedoria especulativa;
  • a Idade Científica – da conquista da ciência e da técnica.

O fim está na Idade da Ciência e da Técnica, que é a idade da perfeição, quando o ser humano não precisa mais sofrer com a ignorância. O fim da História é a própria Meta-história, que se manifesta nela.

O positivismo ganhou grande repercussão na sociologia do século XIX para XX, sobretudo na sociologia do continuador do Auguste Comte: Émile Durkheim.


Ideias que distanciam o homem de sua verdadeira essência

Comte era um pensador materialista. Em sua doutrina o homem é um mero animal racional, que não possui uma alma, não há uma transcendência que permeia sua vida.

Não é a primeira vez na história que pensadores se dedicam a propagar ideias anticlericais, com o objetivo deliberado de afastar as pessoas de suas crenças.

Cada vez mais novos grupos continuam a luta que os positivistas promoveram contra as ideias cristãs para deformar o imaginário ocidental. Todo esse projeto é uma guerra silenciosa que vem se desdobrando há bastante tempo na História.

Há a guerra dos tanques. Das granadas. Dos aviões. E há a guerra silenciosa, sem violência, sangue ou explosões. Uma guerra sem canhões, bombas ou espadas, cujas armas são imagens e palavras.

Uma guerra diferente, que, devagar e sempre, vai destruindo a história, matando os heróis e suas jornadas.

Era o ano de 1883 quando, na Inglaterra, um grupo de intelectuais se uniu para fundar uma sociedade que tinha como objetivo implantar o socialismo de forma gradual, sem uma revolução armada e com uma estratégia que consistia em vencer suas batalhas sem um ataque direto. Sem confrontos.

Mudar a cultura era o meio para chegar ao fim. Por isso, treinaram jornalistas, oradores, políticos, escritores e dramaturgos.

A realidade está definida com palavras. Portanto, quem controla as palavras controla a realidade”, disse um dos mais famosos marxistas da história.

Os fundadores da Sociedade Fabiana sabiam que para uma mudança no pensamento deveriam começar pela linguagem. Era preciso dominar a linguagem para conseguir transformar o senso comum.

Eles sabiam que a cultura tem o poder de moldar o pensamento individual. Essas eram as armas nessa guerra silenciosa.

Eles também sabiam que as palavras do livro que você lê enchem de imagens a sua cabeça. Assim como o filme que você assiste, a música que você canta e ouve, as notícias do jornal, as propagandas, tudo vira imagem.

Tudo o que você ouve, vê ou lê, vai para dentro de você. Isso é o que chamamos de imaginário: é como se fosse um armário que guarda toda a nossa imaginação.

Eles só precisariam, então, escrever ou dizer as palavras certas para influenciar o imaginário das pessoas com as ideias erradas.


O Positivismo no Brasil

O positivismo é uma das correntes filosóficas que mais influenciou a filosofia no Brasil. Ele foi introduzido inicialmente a partir da influência dos filósofos alemães. Recife foi o grande polo que absorveu e desenvolveu este pensamento.

A Faculdade de Direito de Recife se tornou o centro do positivismo entre os intelectuais do Brasil, conhecido como Escola do Recife. Dela se destacam:

  • Tobias Barreto;
  • Sílvio Romero;
  • Clóvis Beviláqua;
  • Capistrano de Abreu;
  • Luís Pereira Barreto;
  • Ivan Monteiro de Barros Lins;
  • Alberto Sales.

O positivismo no Brasil tem como suas principais influências os filósofos Immanuel Kant, Auguste Comte e o naturalista Ernst Haeckel.

Foi a corrente que mais teve repercussão no pensamento e na educação brasileira. Esse fato é fruto das bases cientificistas que foram lançadas nas reformas pombalinas.

Positivistas e iluministas buscavam separar a cultura brasileira e o pensamento religioso tradicional.

Em 1891, Benjamin Constant, outro grande nome positivista no Brasil, promoveu uma reforma do ensino que consistia na gratuidade do ensino primário, na liberdade e laicidade do ensino. Com a liberdade proposta, as ideias positivistas tiveram ainda mais destaque.

Pouco a pouco a filosofia foi tomando contornos acadêmicos e oficiais no Brasil.

A bandeira brasileira ostenta um lema positivista: “Ordem e Progresso”. Os positivistas chegaram a criar uma religião, denominada por Comte de religião da humanidade. Até hoje existe uma Igreja Positivista do Brasil.

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Templo da Humanidade no Rio de Janeiro.

Fonte:BrasilParalelo


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Equipe Tête-à-Tête