Na Modernidade, autores como Feuerbach, Karl Marx e Freud desafiaram a fé, chegando a afirmar que a religião é pura ilusão. Essa postura provocou uma forte reação de autores como João Paulo II, Chesterton e C.S. Lewis. Eles se levantaram contra as posições modernas e afirmaram que fé e razão podem sim andar juntas.

Conheça os principais argumentos contra a fé e os principais argumentos a favor da união entre fé e razão.

O que você vai encontrar neste artigo?

  1. Conflito entre fé e razão
  2. Argumentos contrários à união da fé com a razão
  3. Argumentos a favor da união entre fé e razão
  4. Conciliação da fé com a razão para João Paulo II em Fides et Ratio
  5. A ruptura entre fé e razão na modernidade
  6. A guerra entre a fé e a razão e a Guerra do Imaginário

Conflito entre fé e razão

Quando os discípulos de Jesus começaram a pregação do evangelho, judeus e pagãos, sobretudo gregos e romanos, passaram a acusar a fé cristã, por exemplo, de ser irracional. Cristãos eram também chamados de ateus, já que não acreditavam nas demais divindades da época. Pode-se ver já nesse contexto o germe do conflito entre fé e razão.

Os discípulos dos Apóstolos travaram diversos embates a respeito da sua fé, criando o movimento da filosofia Patrística. A disputa permaneceu no período medieval, levando os cristãos a desenvolverem a Escolástica, um movimento filosófico baseado no pensamento de Aristóteles para explicar a fé de forma racional.

Nesse contexto, vê-se a aproximação das duas realidades, uma vez que a filosofia grega não foi vista como incompatível com a Revelação Cristã.

Agostinho, por exemplo, resgatava muito do conteúdo de Platão. Tomás de Aquino resgatava mais de Aristóteles. O pensamento comum para esses autores era o de que a verdade encontrada pela por meio da luz natural da razão não se opunha às verdades divinamente reveladas.

A convivência da fé, Revelação divina, com a razão, meios naturais para se descobrir a verdade sofreu seus grandes revezes na modernidade, quando se acentuou um certo ateísmo militante. Intelectuais famosos como Karl Marx, Freud e Charles Darwin passaram a utilizar as ciências empíricas e sociais para afirmar que a fé é uma ilusão.


Argumentos contrários à união da fé com a razão

Na obra Sobre Filosofia e Cristianismo, Feuerbach argumenta que a religião é uma forma de patologia psíquica que transforma em objeto os desejos humanos mais elevados. Em Deus, os homens projetam a sua essência e projetam os seus mais altos desejos.

Nas palavras de Feuerbach, Deus é o espelho do homem. Ele vê a fé como uma realidade antropológica, mas não metafísica. Os homens criaram Deus como uma maneira de projetar seus objetivos e desejos mais elevados.

Feuerbach foi um dos primeiros e principais autores a falarem abertamente contra a fé na existência de Deus. Karl Marx foi influenciado por suas ideias antropológicas e as aplicou na sociologia.

Para Marx, a religião é o ópio do povo. Suas teses defendem que a fé é apenas uma realidade criada e sustentada para as elites dominantes enganarem o povo e o dominarem.

No livro Contribuição à crítica da filosofia do direito de Hegel, Marx escreveu:

“A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração, assim como o espírito de estados de coisas embrutecidos. Ela é o ópio do povo. A supressão [Aufhebung] da religião como felicidade ilusória do povo é a exigência da sua felicidade real.

A exigência de que abandonem as ilusões acerca de uma condição é a exigência de que abandonem uma condição que necessita de ilusões. A crítica da religião é, pois, em germe, a crítica do vale de lágrimas, cuja auréola é a religião”.

Para ele, apenas as realidades materiais existem, o resto é ilusão. Marx não chegou a desenvolver um pensamento metafísico para refutar as religiões, mas, mesmo assim, o seu pensamento contrário à fé ganhou força no mundo.

  • O pensamento de Karl Marx faz parte do conjunto que diminui a importância da fé nos meios acadêmicos e depois na sociedade.

A psicologia de Freud

fé e razão - freud


Após Marx ter difundido o materialismo na sociedade, Freud difundiu o materialismo na psicologia. No livro O Futuro de Uma Ilusão, Freud diz:

“[A religião] É a defesa contra o desamparo infantil que empresta suas feições características à reação do adulto ao desamparo que ele tem de reconhecer — reação que é, exatamente, a formação da religião”.

Freud distanciou a fé da razão ao afirmar que a religião é apenas uma reação psicológica frente ao desamparo e medo de estar sozinho no mundo. Suas ideias ganharam força na cultura popular e até mesmo entre religiosos, distanciando ainda mais a fé da razão.


O paradoxo de Epicuro

Outro argumento que ganhou espaço na modernidade entre os ateus é o paradoxo criado pelo filósofo grego Epicuro. O pensamento do grego é usado para tentar comprovar racionalmente a não existência do Deus cristão. O paradoxo é o seguinte:

“Enquanto onisciente e onipotente, [Deus] tem conhecimento de todo o mal e poder para acabar com ele. Mas não o faz. Então [Ele] não é benevolente. Enquanto onipotente e benevolente, então tem poder para extinguir o mal e quer fazê-lo, pois é bom. Mas não o faz, pois não sabe o quanto mal existe e onde o mal está. Então ele não é onisciente. Enquanto onisciente e benevolente, então sabe de todo o mal que existe e quer mudá-lo. Mas não o faz, pois não é capaz. Então ele não é onipotente.”


O bule de Russell

Para afirmar que fé e razão não possuem compatibilidade, o filósofo Bertrand Russell criou a teoria do bule no espaço. O filósofo afirma que, se alguém defender a tese de que um bule de chá orbita a atmosfera terrestre, não é possível desmenti-lo devido a dificuldade de provar que ele está errado.

Um telescópio não conseguiria vê-lo, de maneira que a afirmação do bule não pode ser desmentida, mesmo sendo estranha.

Ele transporta essa realidade para aqueles que defendem a fé em Deus. Segundo ele, a razão não consegue provar a não existência de Deus por ser algo distante e fora da realidade humana.


Charles Darwin

Enquanto os outros autores não apresentavam argumentos ontológicos sobre a existência de Deus, Charles Darwin, abertamente ateu, desenvolveu uma teoria para explicar a origem da vida sem a necessidade de Deus e da fé.

A Teoria da Evolução afirma que é o ambiente, por meio de seleção natural, que determina a importância da característica do indivíduo ou de suas variações, e os organismos mais bem adaptados a esse ambiente têm maiores chances de sobrevivência, deixando um número maior de descendentes.

Para Darwin e seus seguidores, a vida surgiu de forma espontânea na natureza e evoluiu até chegar na forma que possui hoje.

Seus seguidores interpretam a nova teoria como uma maneira de mostrar que a fé não se concilia com a razão, já que o ser humano não teria sido criado diretamente por Deus.

Segundo o jornalista científico Christoph Marty, Darwin disse: 

“Assim que se descobre que uma espécie evolui da outra, toda a estrutura colapsa”.

Darwin - fé e razão

O artigo de Marty mostra que Darwin defendia que as espécies surgiram a partir de relações mecânicas da natureza, não da criatividade de Deus.

Outros pensadores famosos no Ocidente também afirmaram que a fé se contrapõe à razão, tais como:

  • Nietzche;
  • intelectuais da Escola de Frankfurt;
  • Bernard Shaw;
  • H.G. Wells.

Argumentos a favor da união entre fé e razão

Os cristãos desenvolveram argumentos racionais para comprovarem a fé desde o período da Patrística. Alguns dos principais argumentos são: as cinco vias de Santo Tomás de Aquino, a tese de Santo Agostinho sobre o mal, os milagres e as profecias da religião cristã e as argumentações de C.S. Lewis.

Fé e Razão - argumentos de Santo Tomás de Aquino

As cinco vias de Santo Tomás de Aquino buscam mostrar a necessidade de Deus para que a realidade exista. Elas podem ser resumidas da seguinte maneira:

  • 1ª via. O motor imóvel: para um objeto entrar em movimento é necessário que algo o coloque em movimento. Para que algo mude é necessário um agente da mudança. As coisas estão mudando agora, logo, é necessário que algo agora seja responsável pela mudança. Em última instância se encontra um “motor imóvel”, aquele que move sem ser movido, como uma existência necessária para justificar as mudanças presentes. Para Tomás de Aquino, o motor imóvel já apontado por Aristóteles é o Deus cristão.
  • 2ª via. A causa eficiente: tudo existe porque alguma coisa o fez existir. Se Júnior existe é porque a sua mãe e o seu pai o fizeram. Se sua mãe e seu pai existem é porque os avós de Júnior os fizeram. Isso não pode ir até o infinito, porque se há algo existindo agora, há algo responsável por essa existência. O último prova a necessidade de um primeiro. Deve, portanto, existir aquele que existe por si mesmo, ou os outros não existiriam. Esse é Deus.
  • 3ª via. Do contingente e do necessário: o mundo possui muitas coisas contingentes, ou seja, que podem ou não existir. Essa possibilidade faz com que algo contingente possa em algum momento não existir mais. Um exemplo são os humanos, criaturas contingentes: da mesma forma que poderiam existir, poderiam não existir. Os pais dessas pessoas são a mesma coisa, os avós também, isso poderia ser retroativo até o infinito. Porém, alguma coisa deveria necessariamente existir para originar todas as outras, sem depender da existência de algo anterior. É aí que entra Deus, o Primeiro Necessário.
  • 4ª via. Dos graus de perfeição: todas as coisas que existem no mundo possuem um grau maior ou um grau menor de perfeição. Esses graus são baseados em uma perfeição máxima, em um parâmetro de perfeição total. Esse grau máximo é a causa da existência de todas as variações de perfeição. Logo, Deus como a perfeição máxima é a causa de tudo que existe.
  • 5ª via. Do governo das coisas e da finalidade do ser: as coisas possuem uma finalidade e essas coisas não atingem esse fim por acaso. Essas coisas e seres vivos irracionais (plantas e animais) não possuem inteligência para sempre atingir o seu fim, logo, existe algo inteligente que dirige essas coisas. Esse algo é Deus.

Essas vias são longamente explicadas e provadas em detalhe na Suma Teológica e na Suma Contra os Gentios, sendo necessário recorrer a essas obras para ter acesso ao pensamento completo de Tomás de Aquino. Outra obra dedicada à argumentação que prova a possibilidade de a razão alcançar o conhecimento de que Deus existe é “O Ente e a Essência”.

Outro argumento levantado por apologetas cristãos como William Lane Craig é de que a realidade não pode ser ordenada como é se não existir um ser inteligente que a organize. Se a realidade tivesse sido criada de forma aleatória, não existiriam leis da natureza que sempre se repetem e são obedecidas.


Santo Agostinho contra Epicuro

Alguns ateus utilizam o paradoxo de Epicuro para contrapor a razão com a fé cristã. Segundo eles, a existência do mal mostra que o Deus cristão não se importa com os necessitados, não existindo racionalidade na fé em um ser todo-poderoso e bondoso.

Santo Agostinho buscou refutar essas argumentações em suas obras, especialmente no livro Confissões.

Segundo ele, o mal não foi criado nem é desejado por Deus. De acordo com ele, Deus criou as criaturas para terem liberdade, deu-lhes o livre arbítrio.

Caso as criaturas que possuem consciência (anjos e homens) não pudessem escolher entre o bem e o mal, elas seriam meros fantoches de Deus, seriam como manequins, não possuiriam liberdade genuína, condição necessária para o amor.

A possibilidade de escolher o bem ou mal com as próprias forças é o que garante o livre-arbítrio. Para que o ser humano tenha plena posse da sua vida, é necessário que Deus permita o mal como consequência da existência da liberdade.

Segundo os filósofos patrísticos, Deus não deseja o mal, sua vontade é que todos alcancem o bem, mas o mal pode existir para que os homens alcancem o bem de forma livre, verdadeira.

Santo Agostinho tratou essa questão de forma mais aprofundada utilizando conceitos metafísicos.

Em seus estudos, ele afirmou que o mal não possui ser. Para ele, o mal é apenas a ausência do bem, não possui uma existência própria.

Assim como as trevas, que são apenas a ausência da luz, o mal é a ausência de bem nas criaturas que decidiram viver nas trevas do mal.


Divindade de Jesus

Fé e Razão - Divindade de Jesus
Quadro: O Sermão da Montanha, de Carl Heinrich Bloch.

No livro Cristianismo Puro e Simples, de 1942, Lewis diz o seguinte:

“Estou tentando impedir que alguém repita a rematada tolice dita por muitos a respeito Cristo: ‘Estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não aceito a sua afirmação de ser Deus’.

Essa é a única coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse somente um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral. Seria um lunático — no mesmo grau de alguém que pretendesse ser um ovo cozido — ou então o diabo em pessoa.

Faça a sua escolha. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco ou coisa pior. Você pode querer calá-lo por ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou pode prosternar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus.

Mas que ninguém venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passava de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la. […] Agora, parece-me óbvio que Ele não era nem um lunático nem um demônio, consequentemente, por mais estranho, assustador e inacreditável que possa parecer, tenho que aceitar a ideia de que Ele era e é Deus”.

O trilema vem de um outro pregador cristão, o escocês, “Rabbi” John Duncan (1796-1870), a partir da obra Colloquia Peripatetica. Após Duncan, Watchman Nee, em 1936, desenvolveu o argumento, tendo escrito o seguinte em seu livro Normal Christian Faith:

“Primeiro, se ele alega ser Deus e de fato não é, ele deve ser louco ou lunático.

Segundo, se ele não é Deus e nem um lunático, deve ser um mentiroso, enganando os outros com sua mentira.

E terceiro, se ele não é nenhum desses três, ele deve ser Deus.

Você só pode escolher uma dessas três possibilidades.

Se você não acredita que ele seja Deus, você deve considerá-lo louco.

Se você não consegue vê-lo como nenhum desses dois, você tem de vê-lo como um mentiroso.

Não há necessidade de provarmos se Jesus é Deus ou não. Tudo que temos de fazer é descobrir se Ele é um lunático ou um mentiroso. Se Ele não for nem um nem outro, ele deve ser o Filho de Deus”.

William Lane Craig, apologeta cristão moderno, diz que o trilema seria inválido se Jesus não tivesse realmente existido, ou se a história narrada pela tradição apostólica contida na Bíblia fosse uma fábula.

Padre Paulo Ricardo apresenta em seu site provas históricas da existência real de Jesus. No artigo sobre a existência histórica de Jesus, o historiador Lawrence Mykytiuk apresenta as provas.

O estudioso publicou um artigo no qual sintetiza as informações sobre a vida de Jesus contidas nas principais fontes pagãs e judaicas.


Cristãos buscam refutar Darwin

Alguns cristãos tentam conciliar a teoria de Darwin com a sua fé, mas outros buscam mostrar racionalmente que a teoria da evolução está errada e que a fé é uma teoria mais plausível para explicar a vida.

Romulo Carleial, doutor em biologia pela Universidade de Oxford, resume os argumentos dos cristãos. Confira sua tese:


Conciliação da fé com a razão para João Paulo II em Fides et Ratio

A fé e a razão foram conciliadas no ensinamento cristão católico como diz o Papa João Paulo II em sua encíclica Fides et Ratio. O Papa escreveu:

A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Não há motivo para existir concorrência entre a razão e a fé: uma implica a outra, e cada qual tem o seu espaço próprio de realização.

[…]

Por isso, o Concílio Vaticano I ensina que a verdade alcançada pela via da reflexão filosófica e a verdade da Revelação não se confundem, nem uma torna a outra supérflua: «Existem duas ordens de conhecimento, diversas não apenas pelo seu princípio, mas também pelo objeto.

Pelo seu princípio, porque, se não conhecemos pela razão natural, no outro fazemo-lo por meio da fé divina; pelo objeto, porque, além das verdades que a razão natural pode compreender, é-nos proposto ver os mistérios escondidos em Deus, que só podem ser conhecidos se nos forem revelados do Alto».

[7] A fé, que se fundamenta no testemunho de Deus e conta com a ajuda sobrenatural da graça, pertence efetivamente a uma ordem de conhecimento diversa da do conhecimento filosófico. De fato, este assenta sobre a percepção dos sentidos, sobre a experiência, e move-se apenas com a luz do intelecto.

A filosofia e as ciências situam-se na ordem da razão natural, enquanto a fé, iluminada e guiada pelo Espírito, reconhece na mensagem da salvação a «plenitude de graça e de verdade» (cf. Jo 1, 14) que Deus quis revelar na história, de maneira definitiva, por meio do seu Filho Jesus Cristo (cf. 1 Jo 5, 9; Jo 5, 31-32)” 
(Fides et Ratio, 1988, João Paulo II).


Na Igreja Católica, o fideísmo é proibido aos seus fiéis. O Papa Pio IX, no século XIX, condenou a tese fideísta durante o Concílio Vaticano I.

O Fideísmo é uma doutrina religiosa que prega que as verdades metafísicas, morais e religiosas, como a existência de Deus, a justiça divina após a morte e a imortalidade, são inalcançáveis através da razão, e só serão compreendidas por intermédio da fé.

Contudo, a relação entre fé e razão é diferente no protestantismo, conforme mostra o próximo tópico.


A ruptura entre fé e razão na modernidade

A relação entre fé e razão foi rompida na modernidade com o surgimento do protestantismo. Lutero desenvolveu a tese de que a razão humana foi totalmente corrompida após o pecado original, restando apenas a fé como caminho de salvação.

O pastor luterano Vítor Westhelle escreveu no livro Poder e Política – incursões na teologia de Lutero que, em seus escritos sobre a Disputatio de Homine e nas Preleções sobre Gênesis, Lutero:

“[…] simplesmente nega a capacidade da filosofia de definir as causas eficientes e finais para a existência humana”. (WESTHELLE, 2013, p. 324)

No Debate de Heidelberg, Lutero afirma que a cognição natural de Deus é paganismo.

O protestantismo quebra o pensamento católico que une fé e razão. A revolução de Lutero dá início à tradição intelectual de separar a fé da razão no Ocidente.

O filósofo protestante Immanuel Kant aumenta ainda mais a distância entre fé e razão. Para ele, as coisas existem realmente, porém não as podemos conhecer tais quais elas são. Os sentidos e a razão deformariam o real e fornecem apenas uma imagem torcida da realidade.

Kant nega completamente a metafísica que pretende apresentar os seres em si mesmos. O intelecto nada apreende do real. A inteligência captaria apenas a imagem que ela se faz do real.

Esse pensamento mantém a distância entre fé e razão criada por Lutero, já que a razão humana não consegue captar a essência das coisas.

A postura teológica de Lutero e as teorias filosóficas de Kant foram importantes para criar o conflito entre fé e razão na modernidade.


A guerra entre a fé e a razão e a Guerra do Imaginário

A disputa intelectual a respeito da relação fé e razão é uma das maiores batalhas do Ocidente. Aqueles que são contra a fé criaram diversas teorias e instituições para defender seu pensamento — o marxismo cultural, partidos comunistas, a escola de Frankfurt e muitos outros grupos.

Diante dessa ofensiva, três grandes autores literários se levantaram para defender as tradições de seus pais, a união entre a fé e a razão. Eles são Chesterton, Lewis e Tolkien.

Os três autores foram os maiores oponentes das ideias de Nietzsche, Bernard Shaw, H.G. Wells e todos os autores que declararam a guerra silenciosa para manipular a linguagem, distorcer conceitos, criticar o cristianismo e desordenar o imaginário ocidental.

Fonte:brasilparalelo


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Equipe Tête-à-Tête