Sou um ouvinte assíduo da Rádio Jovem Pam, pelo menos desde o ano de 2014 quando a descobri por acaso ao vaguear pelas diversas estações alcançadas pelo meu radinho de pilhas. Fui fisgado então pela competência, inteligência e elegância do grande jornalista Joseval Peixoto, que à época era o âncora do Jornal da Manhã.

De lá pra cá fui acompanhando diariamente o crescimento espantoso daquele meio de comunicação, que no ano de 2021 surgiu também na TV como um canal fechado, granjeando, desde então, números fantásticos de audiência, desbancando, em muitos horários, gigantes da comunicação com décadas de existência e que dominavam até então o cenário da “informação”.

Sempre apreciei, por entender fazer parte indissociável da democracia, o contraditório de opiniões advindo de posições antagônicas de comentaristas, que em lados opostos do espectro político expõem seus pontos de vista, às vezes até mesmo de forma mais incisiva, defendendo abertamente aquilo que acreditam e apontando as falhas, mediante argumentos, que veem no outro lado. E foi exatamente isto que encontrei neste novo canal.

Pela primeira vez em muitos anos pude assitir um jornalismo apresentado de forma totalmente isenta, com a transmissão dos fatos ocorridos sem que viessem acompanhados daquelas reveladoras expressões faciais, de aprovação, reprovação ou ironia por parte do(s) âncora(s), o que normalmente revela uma intenção pré-concebida da própria emissora em dirigir o pensamento do ouvinte/telespectador para algum lado pretendido.

A descoberta de uma nova fonte de informação tão fidedigna à realidade quanto plural nos seus comentários, depois de muitos anos sendo um verdadeiro “freguês” da Rede Globo, principalmente do seu telejornalismo, me fez tomar consciência do embotamento gradual que minha capacidade crítica estava sendo submetida, sem ao menos me dar conta do que ocorria. Descobri um verdadeiro oásis num deserto de informações.

Para meu espanto e indignação, durante a campanha eleitoral presidencial deste ano de 2022 testemunhei, pela primeira vez em 58 anos, um ato de censura sendo imposto à uma emissora de comunicação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que alguns fatos não fossem tratados pela Jovem Pan e seus profissionais nos dias antecedentes às eleições (no rádio, na TV e nas plataformas digitais), seja de modo informativo ou crítico, sobre o passado envolvendo a condenação do candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva, agora Presidente Eleito, sob pena de multa diária em caso de descumprimento.

À instalação da censura seguiu-se um clima de tensão generalizado sobre o que poder falar sem incorrer na violação da proibição determinada, uma vez que palavras ou frases pronunciadas poderiam vir a ser enquadradas naquilo considerado como proibido pelo citado Tribunal. A solução drástica encontrada pelo Grupo num momento sombrio da nossa Democracia, foi aquela prevista na antiga máxima, que diz: Vão-se os aneis e ficam os dedos.

Logo após o resultado das eleições foram desligados comentaristas brilhantes como Augusto Nunes, Guilherme Fiuza e Caio Copolla, revelando uma clara capitulação ao dever de lutar pela liberdade, que eu e milhares de outros assíduos ouvintes/telespectadores esperávamos da emissora. Sob certo aspecto, um ato compreensivo diante do medo de algo tão inusitado. Fato é que, em se livrando de uma possível punição do TSE, a emissora foi punida por considerável parcela da sua audiência, diante da grande decepção num momento crucial da vida Nacional.

É claro que a permanência de comentaristas bons e combativos como é o caso de Roberto Motta e Paulo Figueiredo Filho, permitiu que a chama da esperança por dias melhores naquela casa não se extinguisse por completo.

O espanto e indignação aumentam quando “ouvimos gritar o silêncio” das outras grandes emissoras de comunicação e seus jornalistas, instituições civis, líderes politicos, intelectuais e artistas, em relação à censura imposta a Jovem Pam, ato sempre lembrado e criticado veementemente por estes mesmos atores como sendo uma violência praticada pelos donos do poder em épocas ditatoriais do Brasil num passado não tão distante. Ou seria a censura reconhecida somente em determinadas ocasiões e contra determinadas correntes do pensamento?

Finalizo este pequeno texto perguntando por onde andam os legítimos representantes do povo brasileiro, Deputados e Senadores eleitos pelo voto, que dispondo de todas as prerrogativas para defender as garantias Constitucionais dos cidadãos, em epecial a liberdade de expressão, não o fazem, corroborando calados os atos que estão sendo perpretados contra nossa Democracia, e justamente sob o argumento de defendê-la?


A Constituição da Republica de 1988 garante que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato (art. 5º, IV) e que”é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”(art. 5º , IX , CF/88 ).


Por ora, voltei a deambular pelas ondas do meu radinho. Quem sabe não encontro um novo Joseval por aí?

Um bom dia!

Benhur Debastiani Teixeira – pagador de impostos.


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête