A Inspiração de São Mateus é uma pintura de 1602 do mestre italiano do barroco Michelangelo Merisi da Caravaggio tendo sido destinada, e onde permanece como peça-de-altar, à Capela Contarelli da Igreja de São Luís dos Franceses (Roma), estando ladeada por duas outras pinturas de Caravaggio, O Chamado de Mateus e O Martírio de São Mateus.

Barroco, Tenebrismo – 292 x 186 cm – San Luigi dei Francesi, Rome, Italy


Dois anos depois de pintar as telas laterais para a Capela Contarelli, O Martírio de São Mateus e a Vocação de São Mateus, Caravaggio foi também chamado a completar o conjunto, pintando também o painel central representando São Mateus e o Anjo para ser colocado sobre o altar da capela.

A ideia de um painel de altar representando S. Mateus e o Anjo já estava no programa inicial ordenado pelo cardeal Matteo Contarelli por volta de 1560. O painel e a restante decoração foram inicialmente atribuídos a Girolamo Muziano, o qual, no entanto, não a executou. A tarefa foi depois confiada a Cavalier d’Arpino, que, porém, só realizou os afrescos da abóbada da capela. De modo que a Fábrica de São Pedro, que tinha tomado o encargo de realizar a obra na capela, com a intervenção do seu representante, o padre Berengherio Gessi, deu, possivelmente com a mediação do cardeal Francesco Maria del Monte, o encargo a Caravaggio que deveria apresentar a tela no Pentecostes de 1602. No seu testamento, o cardeal Matteo Contarelli tinha ordenado que o painel deveria ter de altura 17 palmos e de largura 14 palmos com “San Matteo na cadeira com um livro, ou volume, como melhor pareça, no qual mostre a escrita ou a vontade de escrever o Evangelho e ao lado dele o anjo de pé maior do que o natural em acto que pareça de pensar ou noutra atitude.”

De acordo com Giovanni Baglione e Giovanni Pietro Bellori, a primeira versão da pintura foi rejeitada pela congregação: “O quadro de um certo São Mateus, que primeiro havia feito para o altar de S. Luís, e que não era verdadeiramente apreciado”; “[…] terminado metade do quadro de São Mateus e colocado sobre o altar, foi todavia levado pelos padres, dizendo que aquela figura não tinha decoro, nem aspecto de Santo […] “.

Segundo estas fontes, a pintura foi rejeitada porque o Santo foi retratado como um popular inculto e semi-analfabeto, com as pernas nuas cruzadas, em que o anjo pegava fisicamente na sua mão para escrever o Evangelho. Mas Luigi Spezzaferro negou, em 2001, as ideias de Baglione e Bellori, que até ao fim do século XX foram consideradas confiáveis pelos estudiosos.

Spezzaferro mostrou que a primeira versão de São Mateus e o Anjo era um painel temporário, para ser colocado temporariamente na capela até que a obra principal fosse terminada. Ela foi avaliada, pode-se dizer pela primeira vez, não apenas como painel de altar simplesmente, com apenas uma função devocional e litúrgica, mas também considerada e avaliada pelo seu valor estético, favorecendo, neste caso, o interesse do mercado e do coleccionismo.

As considerações maledicentes de Baglione, por conseguinte, eram essencialmente devidas à sua desavença com Caravaggio. Enquanto Giovanni Pietro Bellori via na poética figurativa de Caravaggio um aspecto negativo, em oposição aberta ao seu ideal de beleza, de acordo com os cânones da Academia de São Lucas da qual era secretário.

Fonte:wikiart


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Equipe Tête-à-Tête