“Pátria Educadora” foi um lema de um governo no Brasil escolhido para simbolizar que o foco seria a Educação. Essa promessa foi ousada, já que o país tem mais de 210 milhões de pessoas e uma taxa de analfabetismo funcional de 29% da população, fora seu tamanho continental.

Será que esse objetivo foi alcançado? É preciso recorrer aos dados para responder.

O que você vai encontrar neste artigo?

  1. O que significa “Pátria Educadora”?
  2. Qual a Situação Atual da Educação no Brasil?
  3. Quais as Causa dos Problemas da Educação Brasileira?
  4. Trilogia Pátria Educadora da Brasil Paralelo
  5. 8 Famosos Pensadores da Educação Brasileira

O que significa “Pátria Educadora”?

Pátria Educadora foi o lema do governo Dilma Rousseff que deu nome a um dos documentários mais famosos sobre educação no Brasil feito pela Brasil Paralelo. O documentário investiga a situação da educação brasileira e a origem de seus problemas.

Em seu discurso de posse no Congresso, a então presidente disse o seguinte:

Senhoras e Senhores,

Gostaria de anunciar agora o novo lema do meu governo. Ele é simples, é direto e é mobilizador. Reflete com clareza qual será a nossa grande prioridade e sinaliza para qual setor deve convergir o esforço de todas as áreas do governo. Nosso lema será: BRASIL, PÁTRIA EDUCADORA!

Trata-se de lema com duplo significado. Ao bradarmos “BRASIL, PÁTRIA EDUCADORA” estamos dizendo que a educação será a prioridade das prioridades, mas também que devemos buscar, em todas as ações do governo, um sentido formador, uma prática cidadã, um compromisso de ética e um sentimento republicano.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

A presidente do Brasil deixou explícito em seu discurso a Educação como prioridade, dando a entender que mais investimentos seriam feitos e a expectativa era de que com isso viria um melhor resultado nos índices educacionais.


Qual a Situação Atual da Educação no Brasil?

O Governo da presidente Dilma Rousseff foi encerrado em 2016, com o processo de impeachment. Dois anos depois saiu o resultado do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA), o qual revelou a situação em que se encontra a educação no Brasil.

O PISA é responsável por medir o desempenho dos estudantes de diferentes países do mundo, entre eles o Brasil. Os alunos são avaliados em três áreas diferentes: leitura, matemática e ciências.

O Brasil apresentou um resultado ruim nas três:

  • Leitura: a média dos países da OCDE foi de 487 pontos, o Brasil fez 413. Isso o coloca no 55º lugar dos 79 países avaliados.
  • Matemática: a média dos países da OCDE foi de 489, o Brasil fez 384. Isso o coloca no 69º lugar de 79 países avaliados.
  • Ciências: a média dos países da OCDE foi de 489, o Brasil fez 404. Isso o coloca no 64º lugar de 79 países avaliados.

Outros dados são importantes para compreender a realidade do país:

  • 50% dos brasileiros não possuem o mínimo de proficiência de leitura esperado de todos os jovens que chegam ao final do Ensino Médio.
  • Apenas 0,2% dos alunos alcançaram o nível máximo de proficiência em leitura.
  • Existe uma grande desigualdade entre os Estados brasileiros. Os piores desempenhos são das regiões Norte e Nordeste, enquanto os melhores são dos estados do Sul.
  • Essa desigualdade também é refletida nas escolas. Colégios privados e federais tiveram nota superior à média nacional, ou seja, superior às escolas públicas estaduais e municipais.
  • 68,1% dos estudantes brasileiros estão no pior nível de proficiência em matemática e não possuem sequer o nível básico da matéria.
  • Mais de 40% dos jovens estudantes não conseguem resolver questões simples e rotineiras de matemática.
  • Apenas 0,1% dos estudantes atingiram o nível máximo em matemática.
  • Nenhum aluno conseguiu chegar à proficiência máxima em Ciências.
  • 55% dos alunos não atingiram sequer o nível básico em Ciências.
  • 29% dos alunos declaram ter sofrido algum tipo de violência na escola.
  • 41% dos alunos dizem que os professores levam muito tempo para conseguir manter a sala em ordem. Na média dos países da OCDE, esse índice é de 26%.
  • 50% dos estudantes faltaram pelo menos um dia de aula nas duas semanas anteriores à pesquisa.
  • Todos os dados apresentados na lista foram retirados do PISA 2018.

Essa pesquisa é muito completa e é capaz de mostrar um raio-x da situação da educação no Brasil. Ao mesmo tempo, ela cria uma pergunta que precisa ser respondida: o que causou essa situação?


Quais as Causa dos Problemas da Educação Brasileira?

Os motivos elencados que explicam os problemas da educação brasileira são vários. Entre os especialistas consultados no documentário Pátria Educadora, existem pontos de convergência:

  • falta de verba para a educação;
  • método pedagógico aplicado pelos professores;
  • ausência da família no processo de formação da criança;
  • evasão escolar;
  • violência nas escolas;
  • falta de acessibilidade para crianças com necessidades especiais;
  • perda da autoridade do professor;
  • má formação de professores;
  • salário baixo para os professores;
  • falta de estrutura na escola.

Para pensadores como Paulo Freire, um dos grandes problemas da Educação brasileira é a chamada “educação bancária”. Nessa ótica educacional, o professor apenas passa o conhecimento para o aluno como se fosse uma transferência de um dinheiro de um banco para o outro.

Ele defendia que essa não era a função do professor. O professor deveria ser apenas um mediador entre o aluno e o conhecimento, fazendo com que o aluno aprendesse por si mesmo.

Esse pensamento também não deveria ser o fim em si mesmo, mas sim a serviço da formação de uma mentalidade crítica e política. Para Freire, a educação da classe trabalhadora os levaria a terem mais consciência de classe. Freire era marxista e entendia a sua posição política como intimamente ligada à sua pedagogia.

Em 2012, a presidente Dilma consagrou o pensamento de Freire, nomeando-o como o patrono da educação brasileira. Para pesquisadores como Thomas Giulliano, historiador, escritor e autor de Desconstruindo Paulo Freire, a ineficiência e a carga ideológica da pedagogia freireana é um dos grandes problemas da educação no Brasil.

Esse pensamento é compartilhado pelos autores Vitor Haase e Henrique Simplício na obra Pedagogia do Fracasso, eles defendem que a pedagogia de Paulo Freire acaba dificultando o aprendizado das crianças e vem se provando cada vez mais ineficiente com o avanço das pesquisas em neurociência.

A Brasil Paralelo investigou de maneira mais profunda as diferentes visões e os debates sobre os problemas da Educação Brasileira em seu documentário original.


Trilogia Pátria Educadora da Brasil Paralelo

A trilogia Pátria Educadora promove uma verdadeira investigação dos problemas da educação brasileira. Especialistas em educação explicam como, mesmo com um aumento expressivo na quantidade de dinheiro investido, a educação no Brasil continua entregando resultados ruins.


Parte da História do Brasil é revisitada para identificar os momentos chaves que moldaram o sistema educacional brasileiro. A série é dividida em três episódios:

  • Episódio 1: O Fim da História
  • Episódio 2: Pelas Barbas do Profeta
  • Episódio 3: Guerra Contra a Inteligência

O problema da doutrinação ideológica na educação também é investigado. Imagens e documentos trazem relatos de professores que abusam da posição para promover suas ideologias políticas ao invés de ajudarem seus alunos em seu desenvolvimento educacional.

O Fim da História (Episódio 1)

O episódio começa mostrando o quanto as ideologias políticas perturbam o ambiente educacional brasileiro. Após a sequência de imagens que documentam esse problema, o documentário se volta à História para entender como a educação foi moldada ao longo do tempo.

Um dos temas abordados é o ensino obrigatório que surgiu no Brasil em 1934 e dura até os dias de hoje. Ele é tratado como algo natural, mas nem sempre foi assim. O como era antes disso, e o porquê de se tornar isso, é o que o episódio se propõe a investigar.

A palavra “educação” vem da expressão em latim ex ducere que designa a jornada da vida interior do homem para compreender o que o cerca.

A Grécia Antiga forjou seu nome na história por desenvolver algumas das primeiras formas de perseguir a ideia de Verdade.

Ao longo do tempo, os métodos filosóficos da razão e os povos religiosos foram se encontrando, até se unificarem no alto da Idade Média, quando as obras gregas foram traduzidas e os métodos tidos como pagãos foram se reincorporado nas formas de estudo dos mosteiros e escolas da época. A filosofia grega e o cristianismo, somados ao direito romano, deram a base da civilização ocidental.

Tudo isso sofreu uma grande modificação quando o mundo entrou na modernidade. Com a Reforma Protestante, e mais tarde também com a Revolução Francesa, a educação começou a se tornar algo mais institucionalizado e próximo ao Estado e muito preocupada com a universalização do ensino, ou seja, que mais pessoas recebessem uma formação educacional.

No final do século XIX, e em todo o século XX, foi promovida uma estruturação estatal muito mais forte da educação. O sistema educacional também passou a ser mais utilizado como um instrumento político.

Pelas Barbas do Profeta (Episódio 2)

O episódio começa contando sobre o golpe militar que derrubou a Monarquia no Brasil e instaurou a República Brasileira. Nesse regime o Brasil possuía uma descentralização educacional, isso mudou quando Getúlio Vargas subiu ao poder.

A educação era dividida em três principais linhas de ensino:

  • católica;
  • comunista;
  • escolanovista.

O historiador Thomas Giulliano disse o seguinte em sua entrevista para o documentário:

Então, nós vamos ter essas três linhas: a linha católica, a linha comunista e a linha da Escola Nova. Essas três linhas protagonizarão, pouco a pouco, com uma ou outra mudança dentro de suas linhas, digamos, norteadoras, incipientes, as suas premissas intelectuais, todos os debates e discussões sobre o papel do Estado dentro da educação brasileira. Mas note: todas elas defendiam o papel do Estado.”

Getúlio Vargas colocou no ministério da educação o Gustavo Capanema, o qual foi o grande responsável por criar a estrutura dos órgãos educacionais no Brasil. Ele criou um sistema bem estruturado seguido por todos os seus sucessores após o fim da Era Vargas e até o início da Ditadura Militar: Pedro Calmon, Darcy Ribeiro e Paulo de Tarso.

No período do Regime Militar surgiu um nome de grande relevância na Educação: Paulo Freire. Ele veio em um momento em que o pensamento à esquerda estava passando por uma profunda mudança, a qual teve seu ápice com as manifestações de maio de 1968, quando a luta política mudou o seu foco econômico e partidário para a cultura e pensamentos.

A obra de Paulo Freire foi a inscrição pedagógica que o Brasil teve em um movimento global chamado pedagogia crítica. Os autores dessa linha pedagógica são, até hoje, majoritariamente presentes nas bibliografias dos cursos universitários.

O episódio dois se dedica a analisar a influência de Paulo Freire, trechos e consequências de suas obras.

Guerra Contra a Inteligência (Episódio 3)

O episódio três inicia amarrando tudo o que foi debatido no episódio um e dois e acrescenta algumas informações. A partir dessa amarração, cria-se um resumo da História da Educação Brasileira, começando uma análise dos dados atuais e uma análise de especialista sobre as possíveis causas que geram esse problema.

Não é possível entender os nossos índices negativos trazidos pelo PISA 2018, e o resultado das pedagogias adotadas no Brasil, sem analisar o complexo sistema composto por instituições, leis e cargos que controlam a educação brasileira.

Toda educação brasileira é regulamentada direta ou indiretamente pelo Ministério da Educação. Fundado em 1930 por Getúlio Vargas, o MEC passou a ter um orçamento anual de mais de 100 bilhões de reais, coordenando objetivos educacionais e sendo o principal ponto de referência da educação nacional.

A gestão da educação infantil, fundamental e média que acontecem nas escolas é feita pelas secretarias e conselhos. Essas secretarias e conselhos atuam em nível estadual e municipal. Nenhuma escola existe sem essa autorização, e as que existem não estão dispensadas de seguirem as suas regras.

Eles orientam e coordenam o sistema educacional através de pedagogias, tecnologias, questões técnicas e financeiras. Ou seja, o método educacional escolhido por esses conselhos e secretarias influencia toda a educação do Brasil.

Por isso, os especialistas consultados pelo documentário acreditam que um dos grandes problemas é o método escolhido. Isso justifica os péssimos resultados da educação no Brasil.

A partir daí, o documentário passa a trazer uma vasta quantidade de documentos e análises para embasar esses pontos e identificar os problemas da Educação. Um ponto que chama atenção são os livros didáticos, onde é gasto uma grande quantidade de dinheiro para comprar obras de baixa qualidade e ideologicamente enviesadas.


8 Famosos Pensadores da Educação Brasileira

Vários foram os filósofos, pedagogos e intelectuais que dedicaram a sua vida para pensar sobre a educação no Brasil. A lista conta com pensadores de diferentes correntes, mas todos possuem alto grau de relevância:

  • Pierluigi Piazzi;
  • José Monir Nasser;
  • Magda Soares;
  • Paulo Freire;
  • Olavo de Carvalho;
  • Anísio Teixeira;
  • Darcy Ribeiro;
  • Florestan Fernandes;
  • Padre José de Anchieta.


O Brasil é a Pátria Educadora?

Em 2014, o governo da presidente Dilma Rousseff, que tinha como lema “Pátria Educadora”, desenvolveu a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A ideia era criar uma referência do que deveria ser ensinado no ensino básico no Brasil, assim elevando a qualidade da educação.

Especialistas entrevistados pelo documentário da Brasil Paralelo apresentam falhas graves em como ela foi feita. Contudo, ainda não houve tempo para medir o seu resultado na educação brasileira.

A BNCC revela um dos grandes problemas apresentados na série. O Governo, do lema “Pátria Educadora”, seguiu o mesmo caminho que não tem dado bons resultados. Assim como os governos anteriores, ele acreditou que melhorar a educação é criar mais burocracia e investir mais dinheiro.

Mesmo com vários especialistas alertando que o problema vai além disso (está no método), o Estado segue adotando a mesma estratégia. Será que o mesmo caminho pode levar a um lugar diferente do qual o Brasil já está?

Fonte:brasilparalelo


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête