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SEGUE O TEU DESTINO, DE PESSOA

Segue o teu destino,Rega as tuas plantas,Ama as tuas rosas.O resto é a sombraDe árvores alheias.A realidadeSempre é mais ou menosDo que nós queremos.Só nós somos sempreIguais a nós-próprios.Suave é viversó.Grande e nobre é sempreViver simplesmente.Deixa a dor nas arasComo... Continue lendo →

O PESO DE HAVER O MUNDO, DE PESSOA

O peso de haver o mundo Passa no sopro de aragemQue um momento o levantou,Um vago anseio de viagemQue o coração me toldou. Será que em seu movimentoA brisa lembre a partidaOu que a largueza do ventoLembre o ar livre... Continue lendo →

NÃO É EM MIM O MENOR HORROR

Não é em mim o menor horrorA consciência da minha inconsciênciaDo automatismo sobrenaturalQue eu sou, círculo, de (...) sensaçõesRodando sempre, sempre equidistanteDo centro inatingível do meu ser. ... Fernando Pessoa (1888-1935) Até mais! Equipe Tête-à-Tête

O AMOR QUE EU TENHO NÃO ME DEIXA ESTAR

O amor que eu tenho não me deixa estarPronto, quieto, firme num lugarHá sempre um pensamento que me enlevaE um desejo comigo que me levaLonge de mim, a quem eu amo e quero.Inda de noite, quando durmo, esperoA manhã em... Continue lendo →

A CONSCIÊNCIA DE EXISTIR

A Consciência de existir, a raizDo ilimitado, omnímodo mistérioQue tem tronco de Ser, folhas de vidaFlores de sentimento e sofrimentoE frutos do pensar, podres depressa. A Consciência de existir, tormentoPrimeiro e último do raciocínioQue, porém, filho dela, a não atinge.A... Continue lendo →

VER AS COISAS ATÉ O FUNDO…

Ver as coisas até ao fundo...E se as coisas não tiverem fundo? Ah, que bela a superfície!Talvez a superfície seja a essênciaE o mais que a superfície seja o mais que tudoE o mais que tudo não é nada. Ó face... Continue lendo →

TEUS OLHOS TRISTES, PARADOS

Teus olhos tristes, parados,Coisa nenhuma a fitar...Ah meu amor, meu amor,Se eu fora nenhum lugar! ... Fernando Pessoa (1888-1935) Até mais! Equipe Tête-à-Tête

SÓ A NATUREZA É DIVINA, E ELA NÃO É DIVINA

Só a natureza é divina, e ela não é divina...Se falo dela como de um enteÉ que para falar dela preciso usar da linguagem dos homensQue dá personalidade às coisas,E impõe nome às coisas.Mas as coisas não têm nome nem... Continue lendo →

PREFIRO ROSAS, MEU AMOR, À PÁTRIA

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,E antes magnólias amoQue a glória e a virtude. Logo que a vida me não canse, deixoQue a vida por mim passeLogo que eu fique o mesmo. Que importa àquele a quem já nada importaQue... Continue lendo →

A CONSCIÊNCIA DE EXISTIR, A RAIZ

A Consciência de existir, a raizDo ilimitado, omnímodo mistérioQue tem tronco de Ser, folhas de vidaFlores de sentimento e sofrimentoE frutos do pensar, podres depressa. A Consciência de existir, tormentoPrimeiro e último do raciocínioQue, porém, filho dela, a não atinge.A... Continue lendo →

PARA MIM SER É ADMIRAR-ME DE ESTAR SENDO

Horror da Morte A ilusão da vida, é horrorosa;Mas o horror de pensarQue a morte quebraEssa ilusão numa realidadeReveladora da verdade certa!Oh, esse horror! ... Fernando Pessoa (1888-1935) Até mais! Equipe Tête-à-Tête

NAVIO QUE PARTES PARA LONGE

Navio que partes para longe,Porque é que, ao contrário dos outros,Não fico, depois de desapareceres, com saudades de ti?Porque quando te não vejo, deixaste de existir.E se se tem saudades do que não existe,Sente-se em relação a coisa nenhuma,Não é... Continue lendo →

TODAS AS OPINIÕES QUE HÁ SOBRE A NATUREZA

Todas as opiniões que há sobre a NaturezaNunca fizeram crescer uma erva ou nascer uma flor.Toda a sabedoria a respeito das coisasNunca foi coisa em que pudesse pegar, como nas coisas.Se a ciência quer ser verdadeira,Que ciência mais verdadeira que... Continue lendo →

NÃO CREIO AINDA NO QUE SINTO

Não creio ainda no que sinto -Teus beijos, meu amor, que sãoA aurora ao fundo do recintoDo meu sentido coração... Não creio ainda nessa bocaQue, por tua alma em beijos dada,Na minha boca estaca e tocaE ali (...) fica parada.... Continue lendo →

ESCUTA-ME PIEDOSAMENTE

Escuta-me piedosamente.Não vale a pena amar-me não,Mas o que o meu coração sente -Ah, quero que te passe renteÀ ideia do teu coração... Quero que julgues que podiasSe quisesses, amar-me. SóSaber isso consolariaMinha alma erma de alegria...Ter a certeza do teu... Continue lendo →

AH, BATE LEVEMENTE, MAIS LEVEMENTE!

Ah, bate leve, mais levemente!Eu julguei morto meu coraçãoNa hora passa, como dementeOphelia indo para a corrente,Não sei que incerta minha emoção, Julguei-te morto, coração triste,Que nada fazes salvo doer.Julguei-te morto, e ainda existeNa tua cinza algum fogo e resisteEm... Continue lendo →

SENHOR, MEU PASSO ESTÁ NO LIMIAR

Senhor, meu passo está no LimiarDa Tua Porta. Faz-me humilde ante o que vou legar...Meu mero ser que importa? Sombra de Ti aos meus pés tens, desenhoDe Ti em mim, Faz que eu seja o claro e humilde engenhoQue revela... Continue lendo →

Ó JULIANO APÓSTATA, QUE LAÇO.

Ó Juliano Apóstata, que laçoÉ esse que me prende a quem tu foste,Imperador sombrio e calmo, quemÉ que em nós ambos é o mesmo alguém?Porque sinto eu teu gesto no meu braçoNa m[inha] vida tua morte. Quem foste tu, que... Continue lendo →

AH O CREPÚSCULO, O CAIR DA NOITE, O ACENDER DAS LUZES NAS GRANDES CIDADES

Ah o crepúsculo, o cair da noite, o acender das luzes nas grandes cidades E a mão de mistério que abafa o bulício,E o cansaço de tudo em nós que nos corrompePara uma sensação exacta e precisa e activa da... Continue lendo →

TUDO O QUE FAÇO OU MEDITO

Tudo que faço ou meditoFica sempre na metade.Querendo, quero o infinito.Fazendo, nada é verdade. Que nojo de mim me ficaAo olhar para o que faço!Minha alma é lúcida e rica,E eu sou um mar de sargaço – Um mar onde... Continue lendo →

AUTO DOS BACANTES

Qual é, senhor, a melhor sorte?Mais vale a vida ou mais querer?Há, além do portal da morte,Melhor viver?Será melhor viver amandoE buscar o amor entre a vida,Ou, inda que chorando,Buscar o amorOnde tudo é a sombra e o vago,E o... Continue lendo →

TODO O MUNDO DE SERES E RELAÇÕES

O mistério do mundo,O íntimo, horroroso, desolado,Verdadeiro mistério da existência,Consiste em haver esse mistério.... Não é a dor de já não poder crerQue m’oprime, nem a de não saber,Mas apenas completamente o horrorDe ter visto o mistério frente a frente,De... Continue lendo →

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO

Todas as cartas de amor sãoRidículas.Não seriam cartas de amor se não fossemRidículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor,Como as outras,Ridículas. As cartas de amor, se há amor,Têm de serRidículas. Mas, afinal,Só as criaturas que nunca escreveramCartas de... Continue lendo →

PREFIRO ROSAS, MEU AMOR, À PÁTRIA

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,E antes magnólias amoQue a glória e a virtude. Logo que a vida me não canse, deixoQue a vida por mim passeLogo que eu fique o mesmo. Que importa àquele a quem já nada importaQue... Continue lendo →

FOI UM MOMENTO

Foi um momentoO em que pousasteSobre o meu braço,Num movimentoMais de cansaçoQue pensamento,A tua mãoE a retiraste.Senti ou não? Não sei. Mas lembroE sinto aindaQualquer memóriaFixa e corpóreaOnde pousasteA mão que teveQualquer sentidoIncompreendido,Mas tão de leve!... Tudo isto é nada,Mas... Continue lendo →

ELA CANTA, POBRE CEIFEIRA

Ah, poder ser tu, sendo eu!Ter a tua alegre inconsciência,E a consciência disso! Ó céu!Ó campo! Ó canção! A ciência Pesa tanto e a vida é tão breve!Entrai por mim dentro! TornaiMinha alma a vossa sombra leve!Depois, levando-me, passai! ...... Continue lendo →

ACORDO DE NOITE, MUITO DE NOITE, NO SILÊNCIO TODO

Acordo de noite subitamente.E o meu relógio ocupa a noite toda.Não sinto a Natureza lá fora,O meu quarto é uma coisa escura com paredes vagamente brancas.Lá fora há um sossego como se nada existisse.Só o relógio prossegue o seu ruído.E... Continue lendo →

LIBERDADE – FERNANDO PESSOA

Ai que prazerNão cumprir um dever,Ter um livro para lerE não o fazer!Ler é maçada,Estudar é nada.O sol doiraSem literatura.O rio corre, bem ou mal,Sem edição original.E a brisa, essa,De tão naturalmente matinal,Como tem tempo não tem pressa... Livros são... Continue lendo →

SIM, SEI BEM – FERNANDO PESSOA

Sim, sei bemQue nunca serei alguém.Sei de sobraQue nunca terei uma obra.Sei, enfim,Que nunca saberei de mim.Sim, mas agora,Enquanto dura esta hora,Este luar, estes ramos,Esta paz em que estamos,Deixem-me crerO que nunca poderei ser. ... Fernando Pessoa (1888-1935) Até mais!... Continue lendo →

LIBERDADE – FERNANDO PESSOA

Ai que prazerNão cumprir um dever,Ter um livro para lerE não o fazer!Ler é maçada,Estudar é nada.O sol doiraSem literatura.O rio corre, bem ou mal,Sem edição original.E a brisa, essa,De tão naturalmente matinal,Como tem tempo não tem pressa... Livros são... Continue lendo →

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