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O REGRESSO

Como quem, vindo de países distantes fora de si,chega finalmente aonde sempre esteve e encontra tudo no seu lugar, o passado no passado, o presente no presente, assim chega o viajante à tardia idade em que se confundem ele e... Continue lendo →

GUERRA CIVIL

E contra mim que lutoNão tenho outro inimigo.O que pensoO que sintoO que digoE o que façoE que pede castigoE desespera a lança no meu braço Absurda aliançaDe criançaE de adulto.O que sou é um insultoAo que não souE combato... Continue lendo →

A UM(A) AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade,tenho razão de te acusar.Houve um pacto implícito que rompestee sem te despedires foste embora.Detonaste o pacto.Detonaste a vida geral, a comum aquiescênciade viver e explorar os rumos de obscuridadesem prazo sem consulta sem provocaçãoaté o... Continue lendo →

SEGUE O TEU DESTINO, DE PESSOA

Segue o teu destino,Rega as tuas plantas,Ama as tuas rosas.O resto é a sombraDe árvores alheias.A realidadeSempre é mais ou menosDo que nós queremos.Só nós somos sempreIguais a nós-próprios.Suave é viversó.Grande e nobre é sempreViver simplesmente.Deixa a dor nas arasComo... Continue lendo →

O AMOR, QUANDO SE REVELA – PESSOA

O amor, quando se revela,Não se sabe revelar.Sabe bem olhar p'ra ela,Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que senteNão sabe o que há-de dizer.Fala: parece que mente...Cala: parece esquecer... Ah, mas se ela adivinhasse,Se pudesse ouvir o... Continue lendo →

QUANDO AS CRIANÇAS BRINCAM, DE PESSOA

Quando as crianças brincamE eu as ouço brincar,Qualquer coisa em minha almaComeça a se alegrar E toda aquela infânciaQue não tive me vem,Numa onda de alegriaQue não foi de ninguém. Se quem fui é enigma,E quem serei visão,Quem sou ao... Continue lendo →

A QUEDA DA CASA DE USHER – EDGAR ALLA POE

“Durante todo um dia pesado, escuro e mudo de outono, em que nuvens baixas amontoavam-se opressivamente no céu, eu percorri a cavalo um trecho de campo singularmente triste, e finalmente me encontrei, quando as sombras da noite se avizinhavam, à... Continue lendo →

QUASE UM POEMA DE AMOR

Há muito tempo já que não escrevo um poemaDe amor.E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!A nossa naturezaLusitanaTem essa humanaGraçaFeiticeiraDe tornar de cristalA mais sentimentalE baçaBebedeira. Mas ou seja que vou envelhecendoE ninguém me deseje apaixonado,Ou que... Continue lendo →

O AMOR

é o amorO amor é o amor -e depois?!Vamos ficar os doisa imaginar,a imaginar?... O meu peito contra o teu peito,cortando o mar,cortando o ar.Num leitohá todo o espaço para amar! Na nossa carne estamossem destino,sem medo,sem pudor,e trocamos -somos... Continue lendo →

CONFIANÇA

O que é bonito neste mundo, e anima,É ver que na vindimaDe cada sonhoFica a cepa a sonhar outra aventura...E que a doçuraQue se não provaSe transfiguraNuma doçuraMuito mais puraE muito mais nova... ... Miguel Torga (1907-1995) Até mais! Equipe... Continue lendo →

SÚPLICA

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,E que nele posso navegar sem rumo,Não respondasÀs urgentes perguntasQue te fiz.Deixa-me ser felizAssim,Já tão longe de ti como de mim. Perde-se a vida a desejá-la tanto.Só soubemos sofrer, enquantoO nosso amorDurou.Mas... Continue lendo →

ANNABEL LEE – EDGAR ALLAN POE

For the moon never beams, without bringing me dreams   Of the beautiful Annabel Lee;And the stars never rise, but I feel the bright eyes   Of the beautiful Annabel Lee;And so, all the night-tide, I lie down by the side   Of... Continue lendo →

SENTIMENTAL – DRUMMOND

Ponho-me a escrever teu nomecom letras de macarrão.No prato, a sopa esfria, cheia de escamase debruçados na mesa todos contemplamesse romântico trabalho.Desgraçadamente falta uma letra,uma letra somentepara acabar teu nome!- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!Eu estava sonhando...E há... Continue lendo →

TEMPO DE IPÊ – DRUMMOND

Não quero saber de IPM, quero saber de IP.O M que se acrescentar não será militar,será de Maravilha.Estou abençoando a terra pela alegria do ipê.Mesmo roxo, o ipê me transporta ao círculo da alegria,onde encontro, dadivoso, o ipê-amarelo.Este me dá... Continue lendo →

NÃO SE MATE – DRUMMOND

Carlos, sossegue, o amoré isso que você está vendo:hoje beija, amanhã não beija,depois de amanhã é domingoe segunda-feira ninguém sabeo que será.Inútil você resistirou mesmo suicidar-se.Não se mate, oh não se mate,Reserve-se todo paraas bodas que ninguém sabequando virão,se é... Continue lendo →

MEMÓRIA – DRUMMOND

Amar o perdidodeixa confundidoeste coração.Nada pode o olvidocontra o sem sentidoapelo do Não.As coisas tangíveistornam-se insensíveisà palma da mãoMas as coisas findasmuito mais que lindas,essas ficarão. Em "Memória", o sujeito poético confessa que está confuso e magoado por amar aquilo... Continue lendo →

O DEUS DE CADA HOMEM – DRUMMOND

Quando digo “meu Deus”,afirmo a propriedade.Há mil deuses pessoaisem nichos da cidade.Quando digo “meu Deus”,crio cumplicidade.Mais fraco, sou mais fortedo que a desirmandade.Quando digo “meu Deus”,grito minha orfandade.O rei que me ofereçorouba-me a liberdade.Quando digo “meu Deus”,choro minha ansiedade.Não sei... Continue lendo →

CANÇÃO FINAL – DRUMMOND

Oh! se te amei, e quanto!Mas não foi tanto assim.Até os deuses claudicamem nugas de aritmética.Meço o passado com réguade exagerar as distâncias.Tudo tão triste, e o mais tristeé não ter tristeza alguma.É não venerar os códigosde acasalar e sofrer.É... Continue lendo →

AUSÊNCIA – DRUMMOND

Por muito tempo achei que a ausência é falta.E lastimava, ignorante, a falta.Hoje não a lastimo.Não há falta na ausência.A ausência é um estar em mim.E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,que rio e danço e invento exclamações... Continue lendo →

MÃOS DADAS – DRUMMOND

Não serei o poeta de um mundo caduco.Também não cantarei o mundo futuro.Estou preso à vida e olho meus companheiros.Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.Entre eles, considero a enorme realidade.O presente é tão grande, não nos afastemos.Não nos afastemos muito,... Continue lendo →

AS SEM-RAZÕES DO AMOR

Eu te amo porque te amo.Não precisas ser amante,e nem sempre sabes sê-lo.Eu te amo porque te amo.Amor é estado de graçae com amor não se paga.Amor é dado de graça,é semeado no vento,na cachoeira, no eclipse.Amor foge a dicionáriose... Continue lendo →

DESTRUIÇÃO, DE DRUMMOND

Os amantes se amam cruelmentee com se amarem tanto não se veem.Um se beija no outro, refletido.Dois amantes que são? Dois inimigos.Amantes são meninos estragadospelo mimo de amar: e não percebemquanto se pulverizam no enlaçar-se,e como o que era mundo... Continue lendo →

AMA-ME, DE HILDA HILST

Aos amantes é lícito a voz desvanecida.Quando acordares, um só murmúrio sobre o teu ouvido:Ama-me. Alguém dentro de mim dirá: não é tempo, senhora,Recolhe tuas papoulas, teus narcisos. Não vêsQue sobre o muro dos mortos a garganta do mundoRonda escurecida?Não... Continue lendo →

BEIJO ETERNO, DE CASTRO ALVES

O poema abaixo é um dos mais importantes exemplares da poesia romântica brasileira. Castro Alves pinta em sua lírica um amor pleno, idealizado e eterno. No entanto, como pertence à terceira fase do Romantismo, Castro Alves já inclui em seus... Continue lendo →

AMAR VOCÊ É COISA DE MINUTOS…, de Paulo Leminski

Os versos livres de Leminski são direcionados diretamente à amada e seguem o tom de uma conversa. Apesar de ser um poema contemporâneo, os versos parecem anacrônicos porque prometem uma fidelidade total e absoluta seguindo os moldes do amor romântico.... Continue lendo →

XXX, DE OLAVO BILAC

O poema de amor provavelmente mais citado de Bilac é Via Láctea, um clássico aprendido nos tempos de escola. Os versos abaixo, no entanto, apesar de pouco conhecidos, são também uma obra prima do autor. O poeta, que atuou como jornalista,... Continue lendo →

SONETO DO AMIGO

Enfim, depois de tanto erro passadoTantas retaliações, tanto perigoEis que ressurge noutro o velho amigoNunca perdido, sempre reencontrado.É bom sentá-lo novamente ao ladoCom olhos que contêm o olhar antigoSempre comigo um pouco atribuladoE como sempre singular comigo.Um bicho igual a... Continue lendo →

SONETO DE SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o prantoSilencioso e branco como a brumaE das bocas unidas fez-se a espumaE das mãos espalmadas fez-se o espanto.De repente da calma fez-se o ventoQue dos olhos desfez a última chamaE da paixão fez-se o... Continue lendo →

POEMA DE NATAL

Para isso fomos feitos:Para lembrar e ser lembradosPara chorar e fazer chorarPara enterrar os nossos mortos —Por isso temos braços longos para os adeusesMãos para colher o que foi dadoDedos para cavar a terra.Assim será nossa vida:Uma tarde sempre a... Continue lendo →

A UMA MULHER

Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peitoEstavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos friasE a angústia do regresso morava já nos teus olhos.Tive piedade do teu destino que era morrer no... Continue lendo →

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