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TÊTE-À-TÊTE

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poetisa

FANATISMO

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdidaMeus olhos andam cegos de te ver !Não és sequer a razão do meu viver,Pois que tu és já toda a minha vida ! Não vejo nada assim enlouquecida ...Passo no mundo, meu Amor, a lerNo... Continue lendo →

MÁQUINA BREVE

O pequeno vaga-lumecom sua verde lanterna,que passava pela sombrainquietando a flor e a treva— meteoro da noite, humilde,dos horizontes da relva;o pequeno vaga-lume,queimada a sua lanterna,jaz carbonizado e tristee qualquer brisa o carrega:mortalha de exíguas franjasque foi seu corpo de... Continue lendo →

EU – LISPECTOR

Sou composta por urgências:minhas alegrias são intensas;minhas tristezas, absolutas.Entupo-me de ausências,Esvazio-me de excessos.Eu não caibo no estreito,eu só vivo nos extremos Pouco não me serve,médio não me satisfaz,metades nunca foram meu forte! Todos os grandes e pequenos momentos,feitos com amor... Continue lendo →

MINHA ALMA TEM O PESO DA LUZ – LISPECTOR

Minha alma tem o peso da luz.Tem o peso da música.Tem o peso da palavra nunca dita,prestes quem sabe a ser dita.Tem o peso de uma lembrança.Tem o peso de uma saudade.Tem o peso de um olhar.Pesa como pesa uma... Continue lendo →

MAR – SOPHIA DE MELLO B. ANDRESEN

Mar, metade da minha alma é feita de maresiaPois é pela mesma inquietação e nostalgia,Que há no vasto clamor da maré cheia,Que nunca nenhum bem me satisfez.E é porque as tuas ondas desfeitas pela areiaMais fortes se levantam outra vez,Que... Continue lendo →

ESTE É O LENÇO – CECÍLIA MEIRELES

Este é o lenço de Marília,pelas suas mãos lavrado,nem a ouro nem a prata,somente a ponto cruzado.Este é o lenço de Maríliapara o Amado. Em cada ponta, um raminho,preso num laço encarnado;no meio, um cesto de flores,por dois pombos transportado.Não... Continue lendo →

MOTIVO DA ROSA – CECÍLIA MEIRELES

Não te aflijas com a pétala que voa:também é ser, deixar de ser assim. Rosas verá, só de cinzas franzida,mortas, intactas pelo teu jardim. Eu deixo aroma até nos meus espinhosao longe, o vento vai falando de mim. E por... Continue lendo →

PORQUE OS OUTROS SE MASCARAM MAS TU NÃO – SOPHIA DE MELLO B. ANDRESEN

Porque os outros se mascaram mas tu nãoPorque os outros usam a virtudePara comprar o que não tem perdão.Porque os outros têm medo mas tu não.Porque os outros são os túmulos caiadosOnde germina calada a podridão.Porque os outros se calam... Continue lendo →

A ARTE DE SER FELIZ – CECÍLIA MEIRELES

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.... Continue lendo →

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