Diferente das ideologias encontradas ao longo da história, que se caracterizam pela determinação de transformar o mundo fazendo dele tábula rasa através da destruição de todo o presente em nome de um futuro ou passado utópico, os conservadores sempre relutaram em aceitar o conservadorismo como uma ideologia.

Tão ligado ao Marxismo, Nazismo e Fascismo, o termo “ideologia” levou muitos conservadores a evitarem, nos seus mais diversos escritos (alguns ainda evitam), utilizar o termo para definir aquilo que acreditam e defendem.

Diversos autores, tais como Stanley Baldwin, Quintin Hoog, Fossey John Cobb Hearnshaw, John Buchan, Walter Eliot, entre outros, afirmaram, cada qual a sua maneira, que o conservadorismo é anterior ou até superior, pela sua dimensão existencial, a qualquer tipo de ideologia política. Argumentaram eles que, a condição conservadora se identifica antes com “disposições”, “instintos”, “espíritos”, “temperamentos”, “fés” e “inclinações” dos homens.

O conservadorismo abarca os mais diversos aspectos da vida, desde o empírico, da vida prática, até o transcendental, da vida religiosa (o que não é uma regra) e apresenta uma peculiaridade curiosa: o conservadorismo político e a disposição conservadora natural nem sempre habitam o mesmo indivíduo, ou seja, enquanto muitos homens com inclinações conservadoras não aprovam determinadas políticas conservadoras, outros, de espírito rebelde e conduta pessoal mais radical, o fazem sem pestanejar, provando que a unanimidade cega não faz parte desse pensamento.

Mas todos os conservadores apresentam em comum o fato de não aceitarem aventuras utópicas voltadas ao futuro (os revolucionários) ou ao passado (os reacionários), visto que representam extremos e o potencial para a violência e barbárie. E é contra a utopia em si que reagem com firmeza.    

Diante da constatação, o cientista político e conservador Samuel Huntington considerou que essa natureza reativa dos conservadores a tudo que é utópico, é o que caracterizaria esse pensamento. Para Huntington, o conservadorismo é sim um tipo de ideologia, mas que não segue cartilhas prontas ou possui seguidores dispostos a lutar até morrer na defesa delas, o que causou todas as tragédias humanas que assolaram o século XX. A ideologia conservadora é, ao contrário das rivais, aquela que emerge apenas quando os fundamentos e contratos da sociedade são ameaçados e o homem comum sente que pode perder definitivamente o que conhece em troca de algo desconhecido e nebuloso.    

Benhur Teixeira/Administrador de Empresas


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Equipe Tête-à-Tête