Construindo o Bote, Tréboul, é um trabalho característico do estilo e método de Christopher Wood durante os seus últimos dias de vida. Inspirando-se em Van Gogh, Wood explorou os temas rural e natural como forma de fugir dos seus problemas. A superfície pintada é finamente trabalhada usando energicamente o primário aplicado e as pinceladas as quais são visíveis e não relacionadas à imagem final. Como era o seu costume, a imagem principal era pintada primeiro e depois o plano de fundo era pintado ao redor dela. Isso significa que o primário ainda é visível no verde do oceano à esquerda e nas casas da montanha. Por último, o mais fino de todos era o pálido azul do céu.


A composição é claramente concebida e derivada de um bote realmente sendo construído no porto, o que pode ser confirmado por meio da tela “O Novo Bote, Tréboul”, a qual mostra o mesmo bote no mesmo estado de construção. Incrivelmente, uma senhora segura uma tábua. Esse uso do inusitado parece indicar que o pintor encontrou algum significado particular em tal ação. Ele pintou a senhora em preto e a fez o foco do plano principal, com as pessoas no fundo fazendo fofoca dela. A impressão de que ela está de luto é inevitável e a forma como ela segura a tábua sugere consolo. Implicações com preocupações relativas à mortalidade são consistentes com o tema e com a época na qual a pintura foi criada.


Excetuando-se alguns companheiros de Wood, uma das primeiras pessoas a ver o resultado final foi a negociadora Lucy Wertheim. Ela estava preparando uma mostra dos trabalhos de Wood para a abrir a sua galeria em Londres e viajou à Paris especialmente para ver as suas últimas pinturas. Ela relembra:” Meu primeiro sentimento quando Kit colocou uma grande tela no cavalete na minha frente foi de perturbação. Eu estava tão acostumada com a sombria profundidade e cor de suas pinturas que havia adquirido dele…devido a isso, essa nova atmosfera que ele estava pintando refletiu em mim como um choque “. O contraste com os trabalhos mais alucinógenos que ela possuía era gritante.


Diferentemente dela, Jim Ede valorizou o novo e aparentemente inocente lado do trabalho de Wood, apesar de ele estar consciente do seu lado um pouco mais sombrio. Em “Way of Life” ele escreveu sobre o “Construindo o Bote, Tréboul”: “esqueletos de navios no processo de serem construídos, o que prevê os esqueletos dos pescadores que são levados pelo mar e nunca retornam. Esposas e mães, que enviaram seus maridos e filhos, ajudam a construir uma nova geração de navios da morte. Vejo isso no seu pensamento, desde que ele escreveu isso em uma carta. Quão pictoricamente ele visualizou isso, sem uma sombra de sentimentalismo.”


Ede adquiriu a pintura em 1932, tendo a adquirido em uma divisão de bens do artista. Ele esforçou-se para tentar cativar o interesse da State Trustees mas o pintor era evidentemente considerado “ingênuo e inevitavelmente” fora da instituição.

Fonte:wikiart


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Equipe Tête-à-Tête