Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo.

Quero-te apenas porque a ti eu quero,
a ti odeio sem fim e, odiando-te, te suplico,
e a medida do meu amor viajante
é não ver-te e amar-te como um cego.

Consumirá talvez a luz de Janeiro,
o seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.

Nesta história apenas eu morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo.


Nos versos acima Pablo Neruda recorre a um modelo literário bastante convencional, o soneto. Condenado a uma forma fixa, portanto, o poeta chileno tenta traduzir para o leitor como é a sensação de estar apaixonado.

Sublinha, por exemplo, as contradições do sentimento, o fato do coração passar do frio ao calor e do afeto oscilar rapidamente entre o ódio e o amor.

Aqui não está tanto em questão a figura da amada, mas sim a sensação que a sua presença desperta.

Fonte:culturagenial


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête